(Longo...muito longo...)
Ando em terapia. Terapia pessoal. Já passaram 2 meses desde que estou numa relação nova e verdade seja dita, só agora consegui parar para pensar em tudo o que me rodeia. Sempre me disseram que “se queres conhecer bem o teu marido, divorcia-te dele” e efectivamente isso tem tido tudo a ver com o meu presente. Mas espero poder contar a minha historia em Julho, quando assinarmos os papeis.
De momento estou interessada nada mais nada menos em mim e na minha nova vida. Cheguei ao ponto de questionar-me “quem sou?”. Poderão achar uma estupidez, mas a verdade é que já tive tantos relacionamentos e já passei por tanta coisa a nível sentimental que me perdi. Era sempre aquilo que os outros queriam que eu fosse e nunca era eu mesma. Ate que cheguei ao ponto que já não sei quem sou na realidade.
Ontem, numa conversa séria e pesada, disseram me que podia dar e fazer muito mais do que aquilo que dou ou faço. E é verdade. Recordo me outrora ser uma pessoa extremamente mimada, carinhosa, alegre, sempre a sorrir e sempre de bem com a vida! Recordo momentos onde me diziam que mesmo que estivesse mal, sempre estava bem e, por isso, muitas vezes me comparavam à minha mãe pois ela também é assim.
Essa menina desapareceu. Escondeu se ou fugiu (ainda não consegui entender). Por isso decidi procurá-la. Sei que cresci, que me desenvolvi muito e devido ao meu passado, mudei muitas coisas em mim. Mas confesso que gostaria de recuperar pelo menos o carinhosa e alegre que eu era no passado.
O objectivo agora é tentar chegar ao ponto inicial (ou final). Onde foi e em que momento mudei? Ainda não sei.
Lembro me dos meus 14 anos. Era uma menina inocente e vadia. Tudo era à minha maneira e como eu queria e ninguém me passava por cima. Hoje em dia deixo que me pisem e vou abaixo constantemente.
Com 14 anos amei muito. Tive o meu primeiro amor e a minha primeira desilusão. E sei, que foi a partir dai que deixei de ser a “princesa” que sonhava ser um dia. Porque a partir desse momento tomei a decisão (estúpida) que amaria esse rapaz (agora um homem) o resto da minha vida e, se não ficasse com ele, ficaria com alguém igual a ele.
Lembro me de ter 20 anos. E conhecer um homem igual (ou minimamente igual) ao tal ex dos 14 anos. E fui muito feliz com ele. Mas a separação repentina e a distancia levaram a um final penoso para os dois. E a partir dai foi um cair num sem fim de historias e relacionamentos falhados.
Decidi parar. E casei como homem que mais me completava. Mas ainda assim não foi possível manter me com ele mais de um ano pois, como já se sabe, estou separada dele.
E agora tenho um namorado novo. Com quem estou a tentar construir a minha vida de novo. Mas desta vez quero ir devagar. (já por isso agora vivo sozinha e não vou à maluca viver ou mesmo casar com ele tão cedo).
E foi ele que me disse que eu não era “eu”. Que eu podia ser mais. Podia fazer mais. Podia dar mais de mim. E não o estou a fazer por medo. Por raiva. Por estar de pé atrás com tudo e todos. Porque perdi muito. Perdi muita coisa nos últimos anos. E sei que vou continuar a perder. Mas a verdade é que sinto vontade de ganhar mais do que perco. Porque tenho perdido mais do que ganho.
Quando faço uma retrospectiva da minha vida penso:
- Tive um sem fim de relacionamentos falhados;
- Não acabei o meu curso da universidade porque nunca fui responsável a esse ponto. E ate cometi a aventura de deixar o curso e o país para vir viver para Andorra (com o meu ex marido).
- Não tenho um tipo de homem ideal. Há tempos fiz uma lista do que queria de um homem mas era tão fútil que a tive de a rasgar com a vergonha.
- Casei com um homem que idealizava ficar com ele o resto da minha vida e não funcionou.
Afinal o que quero eu? Porque se eu não souber o que quero, irei continuar com a minha vida falhada. Achava que a culpa era “deles”, mas dou conta (cada vez mais) que eu a longo do tempo fui me despegando dos relacionamentos. Cada desilusão amorosa que tinha contribuía para cada vez mais me afastar, ser mais fria, e querer tudo à minha maneira de tal maneira que, se não fosse como eu queria, eu deixava a pessoa. E tal voltou a acontecer agora no meu curto casamento. Não me dava “tudo” o que eu queria, eu não me sentia feliz e completa e tive de o deixar. Não por não amá-lo, porque sinceramente nem sei se alguma vez cheguei a amar alguém (a parte do amor inocente dos 14 anos), mas porque eu própria não me sentia bem.
Tenho lido livros e pesquisado imenso na internet sobre este tipo de coisas do auto conhecimento e afins.
(Por vezes chego a pensar que devo estar maluquinha e que é uma estupidez o que estou a fazer; mas a verdade é que tem funcionado.)
Tenho me questionado cada dia, tenho me recordado de coisas cada dia, tenho me controlado cada dia mais sobre os meus assuntos mais íntimos, tentando que não me afectem no meu dia-a-dia mas ao mesmo tempo pensar neles com carinho e ir perdoando (e ir me perdoando) cada um deles. E aos poucos estou me a libertar.
Ainda é cedo para dizer que “já passou” pois ainda não estou “curada”, mas agora, a minha intenção mais difícil é a meditação. Quero começar a meditar e ir ao meu mais intimo buscar o que me preocupa. Será a tarefa mais difícil da minha vida.
Lembro me da primeira e única vez que meditei. Primeiro tive um montão de comichões. Não conseguia estar quieta e tudo me assustava. Ate o silencio me assustava. Mas quando consegui concentrar me em mim mesma, vi o meu ex namorado (um deles, talvez o mais difícil de superar). Vi me com ele, numa praia, a nadarmos nus, como tínhamos feito outrora numas ferias e eu estava feliz. Era um momento tão simples e tão feliz (e que eu já nem me lembrava) que desatei a chorar. Porque durante 3 anos odiei-o tão mas tão fortemente que ao lembrar me dele num momento tão bonito, senti raiva de mim. Por que raio estava eu a pensar nele e alem do mais, estava a pensar numa coisa tão bonita.
Então a minha voz interior falou. “Foram momentos lindos e muito feios que passaste com ele mas foram momentos. Não os deves esquecer muito menos odiar alguém que outrora te amou tão loucamente que te chegou a magoar por isso mesmo. Mudou te ao ponto que TU quiseste mudar! Nunca mas nunca te obrigou nada, nunca te fez mal e sempre foi o mais atencioso contigo. Sim, cometeu erros. E tu? Não cometeste mil erros com ele também? Porque não o perdoas? Porque não te perdoas a ti mesma? Não o odeies! Ama-o! Ama o que tiveram e esquece. Deixa o ir! Esquece-o! Perdoa-o!”
Fiquei sem saber o que fazer à minha vida! E foi assim que perdoei o homem que mais infeliz me fez mas que, no seu momento, gostei muito dele e tivemos momentos muito felizes.
Tenho medo de voltar a meditar. Medo do que possa ver ou sentir. Porque passei muito mal com esse momento e senti me tão mal comigo mesma, por ser má! Eu não sou má! Mas tenho momentos que me sinto a pessoa mais maldosa do mundo. E sinto me mal por isso.
Porque já tive tantos namorados que gostaram de mim a sério (!!!) e eu deixei-os por caprichos, por não estar
satisfeita.
Vamos ver uma coisa…quem é que está 100% satisfeito nesta vida? Ninguém! E porque hei-de eu buscar o impossível??? O que eu quero e preciso agora é encontrar o equilíbrio. O MEU equilíbrio. Preciso de saber o que EU quero para mim e o que quero ou não fazer, para poder estar com alguém estável e em equilíbrio. Discussões todos temos, problemas todos temos, defeitos…todos mas todos temos! Por que não estar com alguém e aceitar os seus defeitos?
Eu sou muito pontual. O meu namorado não é. Vou deixa-lo por isso? Claro que não! Arranjemos uma solução para os dois! Encontremos o nosso equilíbrio!
Eu gosto muito de receber mimo. O meu namorado também. Porque não nos mimamos mais um ao outro? Em vez de eu estar sempre a pedir, porque não começo a dar?
Eu preciso do meu tempo. Preciso de saber gerir o meu próprio tempo, as minhas tarefas.
Passo a vida a fazer listas de tudo e a ver no Pinterest coisas de organização pessoal e da casa… mas eu não tenho sentido NENHUM de organização! Porque a minha própria cabeça e o meu equilíbrio interior não estão organizados! E enquanto isso não estiver no equilíbrio que deve estar, será impossível organizar o resto da minha vida!
Sendo assim, depois de toda esta palestra, tomei a decisão de começar a meditar e a pensar bem naquilo que quero. De momento uma coisa tenho clara! Gosto do meu trabalho, da minha casa nova e do meu namorado. São 3 factores que não tenciono mudar. Agora o que tenho de fazer é aprender a gerir o tempo entre estes três e saber equilibrar tudo.
Porque no meu trabalho aproveito nos momentos tranquilos para escrever ou para ler um livro; em casa é o meu espaço, é onde gosto quero e preciso de estar e o namorado é com quem eu quero estar neste momento. Com quem quero partilhar a minha vida, os meus hábitos (que também já não sei quais são) e as minhas paranóias (que também já não sei quais são).
Estou em busca da minha própria identidade. Sei que posso ser muito melhor. Muito melhor mesmo! Mas tem o seu tempo. Tudo tem o seu tempo. E o meu tempo chegou agora.
Está na hora.
“Olhe para o seu coração”. - Buda
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