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Ontem foi assim:


Ontem, quando cheguei a casa, tive uma surpresa muito gira (!!!)… 
Ia começar a limpar a casa pela noite pois amanha não vou ter tempo porque o Baby terá folga comigo (ieyyy!!), então decidi começar por arrumar as minhas roupas. E assim o fiz. O problema é que comecei a sentir tudo molhado. Tinha a roupa molhada, húmida. Vi melhor (junto do Baby) e tenho uma fuga mesmo em cima do armário! Pois claro está que me entraram os azeites e pus me a arrumar tudo muito amuada. Mas com o tempo fui vendo as minhas roupinhas e fui me animando. 


(Uma casa limpa é sinal de vida desperdiçada! - Ihihihihih)

Tenho muito amor à minha roupa, aos meus sapatos, aos meus acessórios, a tudo o que conquistei com muito esforço, por mais material que seja!! Consegui por alguma roupa de parte por saber que não a usarei este ano, mas como está boa (e nova!) não vou doar nem deitar fora. Hei-de usá-la noutro momento. Mas assim tenho já os armários preparados para a chegada do bom tempo – que pelos vistos está a demorar a chegar – e já pus também os casacos da chuva (claro!) pois é nesta época que mais chove, apesar de não fazer muito frio.

Estive também a arrumar as caixas e caixinhas que tenho com carteiras, cadernos pequenos, canetas e mais canetas e bijutaria! Tenho muita coisa! Não me posso queixar! Sou uma menina de castanhos laranjas e verdes! Tudo se combina a partir dessas cores. Este ano consegui comprar um anel branco e outro vermelho! Porque de resto é tudo nas cores outonais. Creio que preciso de mudar isso. Estamos em época de calor e as cores vivas estão na moda! A ver o que conseguirei encontrar por ai!... (não tenho pressa porque tenho muita coisa que nem me lembrava que tinha!) E com os metalizados posso combinar com qualquer coisa!

Pois é nestes momentos que me sinto um pouco fútil, mas sou assim. Sou jovem, gosto, aliás, adoro (!) andar arranjada e gosto de me cuidar! Em espanhol diz se “pija” e eu quase que me podia assumir assim, sem qualquer problema. Na minha casa detesto confusão, detesto as coisas fora do sitio e só quando estou mesmo sem vontade é que não o faço, porque sempre tenho tudo arrumado e tudo no seu sitio. E o problema é que gosto no sitio à minha maneira! Não é num sitio qualquer, é estrategicamente bem colocado…por mim!


(Vou começar a limpar a casa. E por limpar, quero dizer, beber vinho e burrifar toda a casa com Febreze - ambientador - )

Maluquices à parte, um bom fim de semana às pessoas lindas que me lêem! ;)    

E chove...



E chove de novo. Vêem se carros com neve. De certeza que neva pelas montanhas mais altas. E eu quero tanto a primavera de volta! Necessito tanto o solinho na minha cara e no meu corpo! De cada vez que vem um raio de sol eu já fico contente, mas hoje saí de casa tarde e com a chuva a bater me na cara! Não gosto!
Mas quando estás feliz e a vida te sorri, por mais obstáculos que ponha à minha frente, sigo o meu caminho e deixo que tudo se resolva sem me zangar ou fazer cara feia!


Happiness is the way! ;)

Saudade


Este blog estava a precisar de (mais) uma mudança no estilo. Já estamos na época do calor por isso um toque mais fresco neste blog era necessário. 
Aproxima-se o calor e o tempo mais quente. O sol já aparece e já aquece os nossos corações. Ainda está um pouco frio, é verdade, mas Andorra é mesmo assim. Nunca fará calor a 100% e quando fizer, será insuportável. 


Começo aos poucos a habituar-me a este pequeno país. Estou cá desde Novembro de 2011 e a verdade é que até há bem pouco tempo não tinha ideia do sitio onde estava. Vim para cá por amor. Amor esse que não funcionou.
Agora tenho um novo amor que me faz querer estar aqui e cada dia estou com mais força e mais feliz e cada dia com mais vontade de ficar por aqui! Com ele.
Não conheço bem a zona onde vivo. Nunca andei por aqui. (antes de vir trabalhar para a empresa onde estou) Então os clientes vizinhos desta zona (note-se que vivo na porta em frente à minha loja!) falam me de ruas e lojas que eu nunca ouvi falar na vida. Já estou na altura de tirar um domingo pela tarde para ir dar um passeio pelo quarteirão e conhecer o meu novo bairro.
Vivo numa zona muito bonita. Na zona antiga de Andorra la Vella. É muito bonito, muito rústico e, no meio da tranquilidade da zona, há sempre movimento.
Aqui ao lado tem uma praceta onde tomo o meu café cada dia. Os donos do café são um casal português e sempre estamos ai na conversa.
Verdade seja dita, estou em Andorra e não falo catalã. Não tenho amigos catalãs e, até mesmo o castelhano, quase não o falo. É um país de portugueses. País de pessoas que saem das suas terras em busca de algo melhor. E lutam muito! Porque viver longe da nossa casa não é nada fácil.  
Eu falo por mim. Falta me o calor da família, as festinhas do cão e o mar


Como eu sofro sem ver o mar… aqui sufoca-se um pouco, pois à volta só tem montanha. A paisagem é linda sim, mas sufocante. Aqui não há o “horizonte longínquo” do mar. Aqui há apenas montanha. Verde, verde e mais verde! 
E eu tenho saudades de ouvir as gaivotas, as ondas do mar, o ar fresquinho da praia… a areia! Ahhhh que saudades! Na próxima viagem a Portugal vou andar como uma louca a correr na praia atrás das gaivotas! E descalça a sentir a areia e a absorver o solinho que tanto estimo! Só espero que esteja bom tempo… é só o que peço. Bom tempo para ir à praia…


Concluindo…adoro viver aqui. Mas o que tinha de fazer aqui já o fiz. Que era encontrar o meu Baby. 
(ser feliz com outro por um tempo e aprender, lutar, passar mal, lutar, passar muito mal, lutar ainda mais, encontrá-lo num café e ser feliz, muito feliz com ele!)
Em breve, não sei ainda quando, iremos para a praia. Viveremos na praia. Ambos desejamos isso e ambos vamos lutar (juntos!) pelos nossos sonhos!

O Amor #29685


Hoje estou num desses dias que tudo me parece tão bonito e tão claro! Estou perdidamente apaixonada. Cada dia mais. Cada dia mais forte e mais intenso. Cada dia melhor.

Estou com o Baby vai fazer 3 meses. Sim, é pouco tempo eu sei, mas há uma conexão tão forte e tão intensa entre nós que parece que estou com ele há 2 ou 3 anos. Tudo se tornou tão bonito desde que estou com ele. Já passei por muito, é verdade, mas esse “tudo” fica tão pequeno quando penso no Amor que sinto pelo Baby. O maior problema diminui quando chego ao fim do dia e lhe dou um abraço. A menor duvida se vai em cada beijo que me dá. A pouca falta de confiança (normal num inicio de namoro) vai-se quando diz que me ama. O meu sorriso alarga-se de cada vez que me diz baixinho “meu amooooor”…

É  uma sensação tão boa! E estou orgulhosa de mim por estar a deixar entrar alguém no meu coração a 100%. Estou feliz! No meio de tanta coisa minimamente má, estou feliz! Tudo passa quando estou ao lado dele. Tudo se torna mais bonito.

E ontem, na cama, quase a adormecermos, imaginei me com ele na nossa casa. De momento vivo sozinha. Mas passa me pela cabeça partilhar a minha casa e a minha vida ao lado dele. Imagino poder chegar a casa e ter alguém em casa a quem dar um abraço de final do dia. Preparar o jantar para duas pessoas, com tudo a que temos direito. 

Ainda me falta muita coisa para ganhar o conforto a 100% da minha casa. Mas não tenho pressa. A minha mãe sempre me ensinou que uma casa nunca mas nunca está pronta. E é isso que me dá força e paciência para esperar por melhores tempos (financeiramente falando) para poder ter tudo aquilo que sonho para a minha casa! E talvez aí, possa convidar o Baby a entrar. Quando esteja segura que não lhe faltará nada na minha/nossa casinha!

Estou apaixonada! Muito! Não me tirem esta felicidade. Passarinhos voam! E cantam! E bailam à minha volta! 

A culpa é da Primavera!  

Coisas minhas

Quem havia de dizer que ia participar numa brincadeira de um blog, responder bem à pergunta e ganhar um jogo??? 
Tudo só porque me cai bem o rapazinho!... :)

Aqui!

Fragmentos - parte VI

Descobri que escrever sobre mim me tem ajudado muito. Descobri também que quanto mais falo sobre mim mais deixo de ser eu mesma. (hein?) Estou tão eufórica com a ideia de descobrir o meu “eu” que acabo por sufocá-lo.
Digamos que estes dias têm sido autênticos desafios. Levo 2 dias sem arrumar a casa (para mim é uma loucura!) pois o livro “Carolina se enamora”, ou “Amore 14” como titulo original de Frederico Moccia, era tão bom mas tão bom que já o li. Dois dias de pura leitura sem sair do sofá. Bom demais. Adoro Moccia… 



São amores tão inocentes e tão puros que me revejo em todas as historias. Dos meus 14 anos, dos meus 15, altura essa onde tudo era tão bonito e tão horrífico  quando terminava. Hoje em dia começamos uma relação pensando “a ver no que dá” e quando acaba pensamos que foi “mais um relacionamento falhado”...


Gostava de um dia poder voltar a sentir aquele “bichinho” do Amor puro e inocente mas sei que já não será possível. Poderei agora gostar muito de uma pessoa. Poderei ate dizer que a amo. Mas será mesmo assim? Gostamos e já esta? A minha mãe sempre me ensinou que gostar só não chega…lembro me destas palavras perfeitamente. Quando nos deitávamos na cama as duas a falar sobre tudo e mais alguma coisa. E numa dessas tardes falarmos sobre o Amor. E ela disse me que amar só não chega. Há muito mais que fazer numa relação. E disse a palavra que eu ate agora não gostava…cedências. Há que fazer cedências, dizia ela. E hoje em dia vejo que tem razão. Se não nos ambientamos à outra pessoa, as coisas não funcionam. Porque quando tens 14 anos o Amor é perfeito, a pessoa é perfeita e amas ate os mais terríveis defeitos dela. E por isso deixaste levar. Quando já tens idade para ter juízo, pensas em todo o resto… se te dará tudo aquilo que necessitas, se te fará feliz e não te faltará com nada, se sempre te apoiará, que não será como os outros (porque lamentavelmente todos nos fazemos essa pergunta, e mais ainda, depois de várias desilusões). E ai decides se vais em frente com a relação ou não. E é um risco. Um risco que com 14 anos adoras comete-lo e ate o podes repetir no verão seguinte, com 15 anos. Mas quando passas os 20…as coisas mudam. Já não se vê tudo cor-de-rosa. Já existem as desilusões e as ilusões também. Pois começamos a idealizar o que queremos e o que não queremos num companheiro. Homem ou mulher, somos assim.
E eu não sou excepção. 


Fragmentos - Parte V

Depois ponho me a pensar no actual namorado que tenho. Está me a tentar ajudar a encontrar-me. Deixa me ser eu mesma e diz que quando consigo ser eu a 100% é quando mais gosta de mim. Eu também gosto mais de mim quando sou eu mesma, mas já faz tantos anos que me vou “transformando” que me esqueço da minha essência. Estou aos poucos a tentar ser eu mesma com ele. Porque se ele me aceita como sou, não tenho problemas em demonstrar-lhe aquilo que posso fazer ou ser ou dizer. Quando lhe tento fazer uma festinha na cara, parece que o meu corpo de alguma maneira me impede de o fazer. Porque durante muito tempo não aceitaram o meu carinho. Ou quando eu dava carinho achavam que queria sexo. E eu não sou assim. Eu acredito que se pode dar mimos e carinhos sem ter de chegar ao sexo. E o meu namorado também acha. O que é fantástico.


Estou a habituar me à sua maneira de ser. É um rapaz especial e diferente de quase todos os namorados que tive. (ainda não descobri se isso é bom ou mau)
É super carinhoso, é atencioso comigo e mima me até mais não… e eu adoro isso. Sinto me amada por ele e, por isso, esforço-me por dar lhe a entender que também gosto dele e também o quero mimar. (mesmo quando o meu corpo me tenta impedir)
Sinto que com ele poderei ter uma bonita história de amor. Curta ou comprida não me importa, mas sei que pode vir a ser bonito. Mas ambos estamos a medo. Ambos temos esse “pé atrás” que não nos permite dar tudo. Eu noto isso da parte dele e ele nota o mesmo da minha parte. Enquanto não tivermos o nosso equilíbrio emocional nunca saberemos como será o nosso futuro. Mas a verdade é que quando estamos juntos, o mundo brilha à nossa volta e quase se ouvem os passarinhos a voar em cima das nossas cabeças. Estamos muito apaixonados mas não sabemos controlar as nossas emoções. E falo pelos dois, pois ambos estamos assim. Apaixonados e descontrolados.


(momento sonhador) Quero que chegue o dia que possamos estar os dois bem um com o outro. Que eu possa sentir me segura com ele e ele comigo. Que possamos dar tudo um ao outro e termos um relacionamento normal. Gosto do facto que cada um tem a sua casa. Durante um tempo quero e espero que seja assim. Porque apesar de amar estar com ele, preciso do meu espaço. Quero namorar com ele. Quero poder sair com ele, passear, levá-lo a uma esplanada e ficar horas a conversar com ele. Quero jantar fora com el (já fomos!!) e apreciar o menu com ele, sem falar em problemas, apenas a conversar como dois adolescentes apaixonados. Quero que me leve a ver as estrelas. Quero poder adormece-lo. Dar lhe mimo ate ele adormecer. E poder faze-lo sem medo. Sem pensar em nada. Limitar-me a olhar para ele e vê-lo a entrar no mundo dos sonhos. Quero poder oferecer-lhe prendas mínimas e significantes (há que tempos que lhe quero dar uma coisa e ainda não tive nem tempo nem dinheiro de sobra para o fazer…) Anseio o dia onde o dinheiro (ou melhor, a falta do dinheiro) não seja tema principal de conversa. Se tudo correr bem em Agosto já fico com mais dinheiro e poderei poupar. Mas até lá, quero viver cada minuto com ele. Cada segundo. Quero ter saudades. E há dias que não sinto. Há dias que preferia ficar sozinha em casa, no meu mundo e não estar com ele. Mas depois sei que os horários não são compatíveis e então penso que as saudades podem esperar. Já irei de férias uma semana, sem ele. E aí já verei se terei saudades ou não. Será uma boa prova. Uma semana sem o namorado, em Portugal e ver se aguento bem sem ele ou não. Estou segura que vou adorar essa semana porque vou estar com os meus pais, mas também sei que vou sentir a falta dele. Do seu olhar, do seu sorriso, dos seus mimos. Das palavras mágicas “meu amooooooorr” que só ele sabe dizer… isso tudo vou sentir falta quando estiver em Portugal. Mas sei que vou aguentar! E ele também (ou isso espero).



Espero também que, um dia em breve, ele possa confiar em mim a 100%. Sei que não confia, noto bem isso. Ate eu me pergunto se confio mesmo nele a 100% como já lhe disse?!... não sei. Sinceramente não sei se confio. Porque se ele não confia em mim, dá me razoes para não confiar nele também. Ou confio e estou perdidamente apaixonada que já nem sei o que digo?! Este meu equilíbrio (ou a falta dele) aparece quando penso em “nós”. Quando me pergunto se isto vai mesmo dar certo ou não. Porque temos tudo para ser bonito mas… será mesmo tudo bonito? Ou ele vai se passar de cada vez que eu falar com um amigo, ou abraçar um amigo (porque eu sou assim) ou sair de festa sem ele, poderei sair de festa sem ele, sem pensar que ele poderá estar com os nervos sem saber o que eu estou a fazer? Será assim de obsessivo? Ou sou eu quem está a ficar obsessiva com este tema da falta de confiança/possessão?
Ainda há muito para descobrir. Ainda há muito para aprender.


E a nossa história só agora acaba de começar!...    

 

Fragmentos - Parte IV

Em relação ao meu psicológico-amoroso, sou…como hei-de definir? Sou péssima! Mesmo! Nunca soube escolher bem os namorados. (realidade nua e crua) já tive mais de 50 namorados e nenhum me satisfez a 100%. Tive uma grande paixão, um grande amor e, a partir dessa desilusão nunca mais consegui entregar me a 100%. Conservei esse Amor durante muito tempo. Demasiado tempo. E agora, crio entraves a mim mesma. 

Creio já saber o que quero num homem, pois este Amor do passado que tanto amei já não corresponde àquilo que quero no presente. Preciso de um homem meigo e carinhoso, que me adormeça com festinhas, que me leve ao colo em passeio, que me mime com palavras e presentes (não coisas caras, mas miminhos pequenos, como uma simples flor de uma árvore). 
Aliás…já sei o que NÃO quero num homem. Muito mais do que sei o que quero. Não quero que seja obsessivo comigo, quero e exijo que me dê liberdade para sair, passear e ter momentos sozinha, não quero que seja bruto (também não quero uma florzinha que mais parece um maricão que é o que está na moda hoje em dia…demasiada delicadeza também não!), não quero que me fale alto quando discutimos, não quero nunca que me vire as costas quando estamos a falar e muito menos que aceite irmos para a cama zangados! Não quero que fique em casa, sem querer sair. São coisas que não quero num homem, são coisas que não aceito não tolero e não suporto…nada! Não quero que me minta, nem quero que desconfie de mim. (já reparei que quanto mais desconfiam de mim, mais eu me zango e acabo por fazer asneiras)
Não quero mais ter medo de sair só porque o namorado ou marido se possa zangar. Não quero mais deixar de estar com um amigo só porque o namorado ou marido tem ciúmes. Não quero mais suportar a ideia de estar com um homem só porque fica bem, porque tem de ser, porque é assim que a sociedade quer que seja.   





Sempre fui o tipo de menina de quanta mais liberdade me dão, menos asneiras faço. Disso estou segura, pois tive um relacionamento tão aberto e tão liberal que nenhum dos dois saiu mal da relação. Eu saía para as festas, ele também ia, saiamos juntos, conhecíamos imensa gente nova nas festas, confiávamos um no outro a 100%. Lembro me de ter sido o típico namoro de verão, que durou 1 ano e meio! E se eu consegui ser feliz nesses momentos, porque não posso ser feliz outra vez, dessa maneira?


Tenho saudades de passear na praia, de passar horas na toalha a conversar com as amigas e amigos sobre tudo e mais alguma coisa, de ter o namorado a chegar da agua, todo molhado e deitar-se em cima de mim e eu aos gritos com ele, mas mais feliz que uma perdiz…
Quero voltar a sentir isto! Quero que chegue o calor aqui em Andorra e eu possa fazer piscina ou mesmo ir à praia num Domingo. Quero poder ter as minhas férias (que há anos que não tenho) sozinha! Completamente sozinha! Passar 15 dias em família, apenas com os meus pais e deixar o namorado um pouco de lado. Porque preciso do meu espaço!
Estou a adorar viver sozinha. Ter a minha casa! Adoro poder vir trabalhar e (ainda que seja raro), poder vir trabalhar deixando os pratos na mesa porque não me apeteceu lavá-los porque me perdi a ler mais um livro de Moccia!... isto eu chamo LIBERDADE! E é isto que eu preciso! Não é sair, embebedar-me ou estar com homens… é estar comigo mesma e aproveitar todos os momentos comigo mesma. Porque nunca tive isso! Ou melhor dizendo, há anos que não tinha isto. Recordo-me em Braga, quando vivi sozinha a primeira vez…como não estava habituada sempre tinha alguém a dormir comigo. (pouparei pormenores desta fase da minha vida)  Infelizmente nessa altura não soube aproveitar para me conhecer melhor e aprender a lidar comigo. Mas lembro me de sair feliz de casa, após ver a novela e vestir me toda poderosa para ir (de táxi) a 1h (ou 2h) da manha para a discoteca!...sozinha! Sempre havia pessoal conhecido mas eu adorava ir sozinha! Na minha onda, sem problemas, nunca fui de beber muito então chegava sóbria e ria-me dos conhecidos bêbados dessa tal discoteca. Bons tempos… mas agora já não sou assim. Agora já não quero sair! Aliás, quero sair, mas não dessa maneira. Tenho saudades de uma boa noite de festa como tinha em Portugal. Aqui em Andorra as festas não são boas, o ambiente é pior ainda e não nos divertimos tanto como antes. Espero nas férias apanhar algum festival ou alguma festa pois preciso disso! Anseio por um pouco de loucura na minha vida! Só um pouquinho! Mas preciso mesmo!..


E estou a divagar em pensamentos, mas confesso que há muito que não me lembrava de mim mesma! Daquilo que eu era. Que apesar de ter tido épocas (enfim…) estranhas, sempre fui dona de mim mesma! Com os medos e problemas (é normal) mas era EU!
Noto agora que cada namorado novo que arranjo, transformo-me. Deixo de ser eu mesma de novo para “agradar” ao outro. E ao longo do tempo, a minha essência perdeu-se. Lamento me por isto, lamento me mais ainda só ter dado conta agora. E não quero mais ser assim. Não quero mais continuar assim. Quero ser eu mesma. No meu total esplendor.

Nunca fui de ter muitos amigos. E ainda não descobri o porquê disso. Uns dizem me que sou demasiadamente mente aberta e por isso, muitas pessoas não me entendem ou não me aceitam. Outros afastam-se de mim porque não entendem a minha instabilidade. Neste factor até os compreendo. Nem eu ia querer uma amiga como eu, quando estou com os azeites.
Por isso agora estou sozinha. Cometi uns quantos erros após a separação com o marido e todos os “amigos” que eu tinha desapareceram. Talvez seja porque não eram amigos de verdade. Eu costumo pensar assim, mas agora já me pergunto se o problema não serei eu. De momento não me apetece conhecer gente nova. Vou me dando com algumas pessoas e isso basta-me. Agora se preciso de alguém para sair não tenho e se quero conversar com alguém, tenho os amigos de Portugal no Facebook. Amigos esses que permanecem. Poucos mas bons. Aqui em Andorra sempre me disseram que não há amigos. Há apenas pessoas temporárias que aparecem na tua vida para te ajudar e depois desaparecem. Já reparei que isso é verdade. Muitas pessoas me ajudaram mas não ficaram. Ou porque errei eu, ou porque erraram elas, mas as amizades aqui não se conservam muito tempo. Outra coisa que lamento.

E tentando me conhecer, pelo menos vou me lembrando do que sou ou do que já fui e gostaria de voltar a ser. Não estou muito diferente mas tenho outras ideias e outros ideais de vida. Quero voltar a estar como estava. Esse sorriso, essa harmonia e “o mundo é meu!” 

Será difícil chegar a esse “nirvana” mas não há nada como tentar. Quero a minha liberdade, quero o meu bem estar, quero ter objectivos concretos e lutar por eles. Leva o seu tempo, eu sei. Mas eu hei-de chegar lá.    




Fragmentos - Parte III


Já fui boa pessoa, agora sinto me um bicho do mato. Já fui carinhosa, agora retraio-me. Já levei tantas pauladas em cima que agora me fecho num casulo onde ninguém entra. Mas estou à espera do dia que a borboleta saia e volte a vida nem que seja por um dia. Quero voltar a ser aquilo que era. Apesar de saber que agora estou mais lutadora, com mais força para enfrentar os medos. Pensando bem…nunca tinha tido a experiencia de matar uma aranha e desde que estou separada já matei duas! Nunca pensei conseguir lidar sozinha com as contas da casa, com o preparar uma casa nova MINHA e só minha. Tenho apoio de duas pessoas apenas mas que têm sido como minha família. Sem essas duas pessoas não estaria aqui… já estaria em Portugal debaixo das saias da mãe.
   
(dia seguinte)

Volto a este texto que ontem ficou no ar. Passei um tempo a pensar nisto tudo e não cheguei a nenhuma conclusão. Quem sou eu afinal? Posso estar neste momento um “bichinho do mato” ou retraída a nível carinhoso mas verdade seja dita, eu não sou assim! Não posso dizer que isso me define porque não é verdade. Apenas estou numa fase que não consigo sacar esse meu “bem” de dentro. Ontem disse que era instável e sonhadora. Talvez porque nunca sei o que quero e quando sonho, quero o impossível. Ou quero tudo ao mesmo tempo, esquecendo me que a vida real não é “já” mas sim uma continuidade de tempo.
Quando fui viver para a minha casa nova, pensava cada dia que precisava de mil e uma coisas e não tinha dinheiro para elas. E desesperava. Hoje, aceito o que tenho, assumo que tenho o básico, o essencial e consigo ter algumas coisas supérfluas e não tenho 
pressa. Limito me a esperar ter dinheiro de sobra para comprar a maquina de lavar ou a televisão. São coisas que me fazem falta, sim, mas não posso desesperar se neste momento não tenho dinheiro para elas. Neste aspecto já mudei bastante. 

Fragmentos - Parte II


*FISICAMENTE*
Não sou gorda nem magra, estou bem para uma menina de 25 anos. (claro que podia minimizar a gordurinha acumulada, mas sou muito mas muito preguiçosa e detesto fazer exercício) Amo o meu cabelo, tento sempre tê-lo bonito e arranjado. De cara não estou mal. Gosto do que vejo no espelho e gosto mais ainda quando sorrio para mim e me digo coisas bonitas (acontece imensas vezes), sendo assim, tento ter a minha auto-estima sempre em cima. De corpo, lá está, é essa gordurinha que não consigo deixá-la. Faz parte de mim mas não incomoda muito. Adoro vestir calças de ganga. Tenho vergonha das minhas pernas (é verdade), no verão ninguém me vê de saias e quanto muito posso usar uns calções ou vestido curto só porque vou à praia ou piscina. Sou muito estilo calças-de-ganga-t-shirt-e-um-casaquinho e não passo horas a ver o que vestir. Nisso sou simples; como renovo constantemente de roupa, gosto de tudo o que tenho por isso “qualquer coisa” fica me sempre bem. Detesto escolher sapatos para calçar. Dos 52 mil que tenho, nunca nenhum me fica a 100% (totalmente o contrario da roupa). Então posso estar toda bonita de roupa e os sapatos não combinam e eu passo me! Não gosto disso! (aqui pode se notar nos meus “azeites momentâneos”)
Por fora não estou mal. vá. Sendo muito sincera, gosto do que vejo. Não sou perfeita, mas sou “eu” e isso ninguém me tira.

*PSICOLOGICAMENTE*
Sou muito mas muito instável. Talvez a palavra que me defina seja mesmo essa. Instabilidade. Em tudo. Estou em constante mudança. Nunca sei o que quero. Já quis ser mil e uma coisas e nunca me decidi em nenhuma. A única que se pode manter ao longo dos anos é a minha incrível paixão por hotéis. Sempre quis ter um hotel e, aqui em Andorra, de vez em quando ouve-se que se vende um ou outro hotel por aqui e entra-me aquele bichinho de querer ter um hotel meu. Sempre pensei que um dia seria a recepcionista do “meu” próprio hotel. Porque adoro recepção, adoro que os hospedes que sintam em casa. Já trabalhei em hotéis e trago boas recordações desses lugares. Desde clientes que me traziam bolos, a desenhos de crianças ou até mesmo mensagens de Natal ou Ano Novo dos clientes que todos os anos frequentavam o hotel. Estudei Línguas Aplicadas na Universidade do Minho (curso o qual não o conclui), na esperança de um dia poder “aplicá-las” numa recepção de um hotel em Nova York, Barcelona, Brasil ou mesmo Paris. Mas nada disso resultou até agora. Já fiz muita coisa mas neste momento não faço nada mais do que estar numa loja de ouro, com um computador, em Andorra e o que mais falo é o meu idioma nativo, o português. (Com isto não me queixo do meu trabalho, até porque descobri que tenho vocação para isto, mesmo sendo um trabalho temporário…todos sabemos que um dia o ouro deixará de ter tanto valor como o tem agora)
Quem sabe, num dia que tenha de mudar de trabalho, volte à hotelaria. Sonhos todos temos e eu sou uma extrema e exagerada sonhadora. Outra característica minha. Idealizo coisas que não existem (o que por vezes é péssimo), sonho com o mais romântico príncipe e sempre acabo por “despertar” da pior maneira possível. Toda a minha vida quis um homem carinhoso e meigo, alto e musculoso, que me oferecesse pequenos presentes todos os dias, que me levasse a ver as estrelas (literalmente falando) enrolados juntos numa manta felpuda, que me levasse a passear na praia descalços, que me oferecesse flores, que me levasse a jantar obrigando me a vestir me muito clássica e sensual… isto tudo porque vejo muitos filmes de amor. Sou uma romântica de morte! Até enjoo por vezes de ser assim. Mas a verdade é que o sou. Com todas as minhas forças. E durante muito tempo deixei de o ser. Porque tudo o que descrevi em cima NUNCA o tive! E anseio o dia que estas coisas me aconteçam, que me sinta num desses filmes de amor onde “vivem felizes para sempre”.
Continuando no psicológico, estas característica acima referidas são as que mais se notam pois ambas são boas e más ao mesmo tempo e completam-se. Não saber o que quero e o que quero não o tenho. E essa instabilidade que me acompanha toda a vida. Namorados…mil e um. Amigos…foram e vieram. Família…neste momento estou longe.

Noto que paro aqui. Não me sei definir… não me consigo definir. Como sou afinal? Sou…instável e sonhadora. E não sou nada mais?

Fragmentos - parte I

Tentei encontrar alguma coisa. Mas no fundo, não procurava nada em concreto. E se não és minimamente especifica naquilo que queres, o Google não encontra nada do que pretendes ou possas pretender. Hoje aconteceu-me isso. Queria algo. Mas não sabia o quê então desisti de procurar por esse “algo” que nem eu mesma sabia o que era. Continuo sem saber o que quero procurar. E isto pôs me a pensar. 

Se não sei o que quero…como vou ter uma vida plena? Se os meus objectivos são mudados a cada hora porque não os tenho definidos, como posso atingi-los? Ou até mesmo quando vejo os catálogos das lojas que gosto, como posso eu comprar algo se ainda nem descobri qual o meu estilo? São perguntas fúteis e mesquinhas mas que me fazem pensar que estou no abismo da crise existencial momentânea.
Pode durar um dia, uma hora ou toda a vida. Neste momento estou a passar por uma crise dessas. De não saber o que quero, de não saber quem sou, de não saber para onde quero ir. Estou como uma marioneta. Deixo me levar pelo tempo pois não tenho rumo.
Quando paro para pensar “naquela” pergunta mágica: quem sou?...fico assustada. Porque ainda me estou a descobrir. Desde a separação que me perdi e não sei ainda bem o que sou gosto ou quero. E acreditem que é a pior sensação do Mundo!

Quem sou? Sou uma menina. (ora aqui não há duvidas) Mimada. (muito) Sou feliz. (sou; apesar de tudo sou) Tenho os meus azeites a cada duas por três mas isso é o que me define. Ora estou bem, como dentro de um bocado estou mal. Não sou bipolar, sou parvinha mesmo.
 

Crises #297634

Voltou me a passar algo que não passava há muito tempo. A “tal” crise de pânico. 

Desde que tenho um namorado novo que nunca mais me passou. E ontem deu-se uma crise tão grande que, como há muito que não tinha, mal soube controlá-la e tive mesmo de recorrer aos calmantes. A pergunta que me faço hoje, quando penso no assunto é: será que é por estar em busca do equilíbrio pessoal e tranquilidade com o meu “eu” que me dão estas crises? Será o meu subconsciente a lutar comigo? Será esta calma que tanto estou a buscar que faz com que me sinta com ansiedade? E então questiono me como poderei solucionar isto? Porque não me consigo controlar. Entretanto toda a calma que tinha, foi-se. 
Voltaram os apertos no peito, a ansiedade constante e as diarreias (que sempre me passa quando estou nervosa). 

Pergunto me hoje, como poderei eu chegar ao meu equilibro se estou em luta constante comigo mesma? Se tudo o que tenho cá dentro se transforma em ansiedade e me mata por dentro? E isso vê-se por fora… Preciso de encontrar uma forma de me “curar”. E, se alguém lê isto e me pode ajudar, por favor que me diga algo. Porque não sei lutar comigo mesma. Não sei o que fazer. Perco me em mil pensamentos e fico pior. E quando tento controlar-me com respiração ou mesmo com meditação, fico pior. E voltam os ataques de pânico. 

Não quero voltar a recorrer a calmantes. Não quero voltar a andar com sono e sem vida. Porque hoje mesmo adormeci pela manha. E eu não sou assim. Não quero que os comprimidos ganhem e/ou me superem. Quero superar me "eu" a mim mesma. E estou numa fase que não sei como fazê-lo. Estou num turbilhão de emoções incontroláveis. Num tsunami de pensamentos sobre tudo. Anseio porque vou EM MAIO (falta ainda imenso tempo) a Portugal. Anseio porque estou ainda em processo de separação (que só terminará, se tudo correr bem, EM JULHO). Anseio tudo aquilo que não tenho. E estou a deixar me levar por estas emoções que me atormentam… 

Estou de volta ao “sofrimento por antecipação” e eu achava que isso já tinha acabado. Mas não! Está de volta! E com mais força que nunca! Tento meditar. Tento acalmar-me, fazer respirações yoga para remover maus pensamentos, penso que não preciso de estar ansiosa, penso que tenho de viver o Hoje. E lá vem ao meu pensamento o “mas pensa também no futuro…olha o que ainda tens por fazer!” e isso mata-me por dentro! Por isso escrevo. Solto estes pensamentos obscuros que tenho. Solto tudo o que tenho cá dentro. Esta raiva de não querer estar assim e não saber como controlar… não saber o que fazer. 

“Foi só uma vez!” disse o Baby. Sim, foi só uma vez, mas as consequências sempre se dão no dia seguinte… E no outro, e no outro… até voltar tudo outra vez! 

Será que algum dia vou poder ser uma pessoa normal? E, se possível, equilibrada e tranquila comigo mesma?

Fantástico!

Aconselho toda mas tooooda a gente a ver isto. É sensivel e terno e mistura a realidade com a imaginaçao. Só quem lê livros entende...só quem vive as histórias poderá amar esta curta-metragem como eu!

Terapia #517628

(Longo...muito longo...)

 Ando em terapia. Terapia pessoal. Já passaram 2 meses desde que estou numa relação nova e verdade seja dita, só agora consegui parar para pensar em tudo o que me rodeia. Sempre me disseram que “se queres conhecer bem o teu marido, divorcia-te dele” e efectivamente isso tem tido tudo a ver com o meu presente. Mas espero poder contar a minha historia em Julho, quando assinarmos os papeis. De momento estou interessada nada mais nada menos em mim e na minha nova vida. Cheguei ao ponto de questionar-me “quem sou?”. Poderão achar uma estupidez, mas a verdade é que já tive tantos relacionamentos e já passei por tanta coisa a nível sentimental que me perdi. Era sempre aquilo que os outros queriam que eu fosse e nunca era eu mesma. Ate que cheguei ao ponto que já não sei quem sou na realidade.

 Ontem, numa conversa séria e pesada, disseram me que podia dar e fazer muito mais do que aquilo que dou ou faço. E é verdade. Recordo me outrora ser uma pessoa extremamente mimada, carinhosa, alegre, sempre a sorrir e sempre de bem com a vida! Recordo momentos onde me diziam que mesmo que estivesse mal, sempre estava bem e, por isso, muitas vezes me comparavam à minha mãe pois ela também é assim. Essa menina desapareceu. Escondeu se ou fugiu (ainda não consegui entender). Por isso decidi procurá-la. Sei que cresci, que me desenvolvi muito e devido ao meu passado, mudei muitas coisas em mim. Mas confesso que gostaria de recuperar pelo menos o carinhosa e alegre que eu era no passado. O objectivo agora é tentar chegar ao ponto inicial (ou final). Onde foi e em que momento mudei? Ainda não sei.

 Lembro me dos meus 14 anos. Era uma menina inocente e vadia. Tudo era à minha maneira e como eu queria e ninguém me passava por cima. Hoje em dia deixo que me pisem e vou abaixo constantemente. Com 14 anos amei muito. Tive o meu primeiro amor e a minha primeira desilusão. E sei, que foi a partir dai que deixei de ser a “princesa” que sonhava ser um dia. Porque a partir desse momento tomei a decisão (estúpida) que amaria esse rapaz (agora um homem) o resto da minha vida e, se não ficasse com ele, ficaria com alguém igual a ele.

 Lembro me de ter 20 anos. E conhecer um homem igual (ou minimamente igual) ao tal ex dos 14 anos. E fui muito feliz com ele. Mas a separação repentina e a distancia levaram a um final penoso para os dois. E a partir dai foi um cair num sem fim de historias e relacionamentos falhados.

Decidi parar. E casei como homem que mais me completava. Mas ainda assim não foi possível manter me com ele mais de um ano pois, como já se sabe, estou separada dele. E agora tenho um namorado novo. Com quem estou a tentar construir a minha vida de novo. Mas desta vez quero ir devagar. (já por isso agora vivo sozinha e não vou à maluca viver ou mesmo casar com ele tão cedo). E foi ele que me disse que eu não era “eu”. Que eu podia ser mais. Podia fazer mais. Podia dar mais de mim. E não o estou a fazer por medo. Por raiva. Por estar de pé atrás com tudo e todos. Porque perdi muito. Perdi muita coisa nos últimos anos. E sei que vou continuar a perder. Mas a verdade é que sinto vontade de ganhar mais do que perco. Porque tenho perdido mais do que ganho.

 Quando faço uma retrospectiva da minha vida penso:

 - Tive um sem fim de relacionamentos falhados;

 - Não acabei o meu curso da universidade porque nunca fui responsável a esse ponto. E ate cometi a aventura de deixar o curso e o país para vir viver para Andorra (com o meu ex marido).

 - Não tenho um tipo de homem ideal. Há tempos fiz uma lista do que queria de um homem mas era tão fútil que a tive de a rasgar com a vergonha.

 - Casei com um homem que idealizava ficar com ele o resto da minha vida e não funcionou.

Afinal o que quero eu? Porque se eu não souber o que quero, irei continuar com a minha vida falhada. Achava que a culpa era “deles”, mas dou conta (cada vez mais) que eu a longo do tempo fui me despegando dos relacionamentos. Cada desilusão amorosa que tinha contribuía para cada vez mais me afastar, ser mais fria, e querer tudo à minha maneira de tal maneira que, se não fosse como eu queria, eu deixava a pessoa. E tal voltou a acontecer agora no meu curto casamento. Não me dava “tudo” o que eu queria, eu não me sentia feliz e completa e tive de o deixar. Não por não amá-lo, porque sinceramente nem sei se alguma vez cheguei a amar alguém (a parte do amor inocente dos 14 anos), mas porque eu própria não me sentia bem.

 Tenho lido livros e pesquisado imenso na internet sobre este tipo de coisas do auto conhecimento e afins. (Por vezes chego a pensar que devo estar maluquinha e que é uma estupidez o que estou a fazer; mas a verdade é que tem funcionado.) Tenho me questionado cada dia, tenho me recordado de coisas cada dia, tenho me controlado cada dia mais sobre os meus assuntos mais íntimos, tentando que não me afectem no meu dia-a-dia mas ao mesmo tempo pensar neles com carinho e ir perdoando (e ir me perdoando) cada um deles. E aos poucos estou me a libertar.
Ainda é cedo para dizer que “já passou” pois ainda não estou “curada”, mas agora, a minha intenção mais difícil é a meditação. Quero começar a meditar e ir ao meu mais intimo buscar o que me preocupa. Será a tarefa mais difícil da minha vida.

 Lembro me da primeira e única vez que meditei. Primeiro tive um montão de comichões. Não conseguia estar quieta e tudo me assustava. Ate o silencio me assustava. Mas quando consegui concentrar me em mim mesma, vi o meu ex namorado (um deles, talvez o mais difícil de superar). Vi me com ele, numa praia, a nadarmos nus, como tínhamos feito outrora numas ferias e eu estava feliz. Era um momento tão simples e tão feliz (e que eu já nem me lembrava) que desatei a chorar. Porque durante 3 anos odiei-o tão mas tão fortemente que ao lembrar me dele num momento tão bonito, senti raiva de mim. Por que raio estava eu a pensar nele e alem do mais, estava a pensar numa coisa tão bonita. Então a minha voz interior falou. “Foram momentos lindos e muito feios que passaste com ele mas foram momentos. Não os deves esquecer muito menos odiar alguém que outrora te amou tão loucamente que te chegou a magoar por isso mesmo. Mudou te ao ponto que TU quiseste mudar! Nunca mas nunca te obrigou nada, nunca te fez mal e sempre foi o mais atencioso contigo. Sim, cometeu erros. E tu? Não cometeste mil erros com ele também? Porque não o perdoas? Porque não te perdoas a ti mesma? Não o odeies! Ama-o! Ama o que tiveram e esquece. Deixa o ir! Esquece-o! Perdoa-o!”
Fiquei sem saber o que fazer à minha vida! E foi assim que perdoei o homem que mais infeliz me fez mas que, no seu momento, gostei muito dele e tivemos momentos muito felizes.

Tenho medo de voltar a meditar. Medo do que possa ver ou sentir. Porque passei muito mal com esse momento e senti me tão mal comigo mesma, por ser má! Eu não sou má! Mas tenho momentos que me sinto a pessoa mais maldosa do mundo. E sinto me mal por isso. Porque já tive tantos namorados que gostaram de mim a sério (!!!) e eu deixei-os por caprichos, por não estar satisfeita.

Vamos ver uma coisa…quem é que está 100% satisfeito nesta vida? Ninguém! E porque hei-de eu buscar o impossível??? O que eu quero e preciso agora é encontrar o equilíbrio. O MEU equilíbrio. Preciso de saber o que EU quero para mim e o que quero ou não fazer, para poder estar com alguém estável e em equilíbrio. Discussões todos temos, problemas todos temos, defeitos…todos mas todos temos! Por que não estar com alguém e aceitar os seus defeitos?
Eu sou muito pontual. O meu namorado não é. Vou deixa-lo por isso? Claro que não! Arranjemos uma solução para os dois! Encontremos o nosso equilíbrio! Eu gosto muito de receber mimo. O meu namorado também. Porque não nos mimamos mais um ao outro? Em vez de eu estar sempre a pedir, porque não começo a dar? Eu preciso do meu tempo. Preciso de saber gerir o meu próprio tempo, as minhas tarefas. Passo a vida a fazer listas de tudo e a ver no Pinterest coisas de organização pessoal e da casa… mas eu não tenho sentido NENHUM de organização! Porque a minha própria cabeça e o meu equilíbrio interior não estão organizados! E enquanto isso não estiver no equilíbrio que deve estar, será impossível organizar o resto da minha vida!

Sendo assim, depois de toda esta palestra, tomei a decisão de começar a meditar e a pensar bem naquilo que quero. De momento uma coisa tenho clara! Gosto do meu trabalho, da minha casa nova e do meu namorado. São 3 factores que não tenciono mudar. Agora o que tenho de fazer é aprender a gerir o tempo entre estes três e saber equilibrar tudo. Porque no meu trabalho aproveito nos momentos tranquilos para escrever ou para ler um livro; em casa é o meu espaço, é onde gosto quero e preciso de estar e o namorado é com quem eu quero estar neste momento. Com quem quero partilhar a minha vida, os meus hábitos (que também já não sei quais são) e as minhas paranóias (que também já não sei quais são).

Estou em busca da minha própria identidade. Sei que posso ser muito melhor. Muito melhor mesmo! Mas tem o seu tempo. Tudo tem o seu tempo. E o meu tempo chegou agora. Está na hora.

 “Olhe para o seu coração”. - Buda

Uma realidade

Terapia #45681

"Olhe para o seu coração"

 "Esta é uma das mais belas declarações: 'Olhe para o seu coração. Siga a sua natureza'.
         Buda não está dizendo, siga as escrituras. Ele não está dizendo, siga-me. Ele não está dizendo, siga certas regras de conduta. Ele não está ensinando a você qualquer moralidade. Ele não está tentando criar um certo caráter em você, porque todo caráter é uma bela cela de uma prisão. Ele não está dando a você um certo caminho para viver. Ao invés disso, ele está lhe dando coragem para seguir a sua própria natureza. Ele quer que você seja corajoso o bastante para ouvir o seu próprio coração e seguir, de acordo com ele.
         'Siga a sua natureza' quer dizer: flua com você mesmo. Você é a escritura... e escondido lá no fundo de você ainda está uma pequena voz. Se você se tornar silencioso, você será guiado por ela.
          O Mestre tem apenas que tornar você consciente de seu Mestre interior. Aí a sua função estará completa. Aí ele poderá deixar você consigo mesmo, ele poderá mandar você de volta para você mesmo. A proposta de um Mestre não é escravizar um discípulo, a proposta de um Mestre é libertá-lo, é lhe dar total liberdade. E essa é a única possibilidade de se atingir a liberdade total: 'Siga a sua natureza'.
          Por 'natureza', Buda quer dizer Dhamma. Assim como é da natureza da água fluir para baixo e é da natureza do fogo se expandir para o alto, assim existe uma certa natureza escondida dentro de você. Se todos os condicionamentos que foram impostos a você pela sociedade forem removidos, de repente você irá descobrir a sua natureza.
          A sua natureza é tornar-se Deus. Ais Dhammo sanantano - essa é a lei eterna e inesgotável: sua natureza é tornar-se Deus.
          O homem é um Deus em potencial, um bodhisattva. O significado do homem é tornar-se Deus. Menos do que isso não irá satisfazer você, menos do que isso não terá utilidade. Você pode ter todo o dinheiro do mundo, todo o poder, todo o prestígio possível, e ainda assim você permanecerá vazio.A não ser que a sua natureza divina floresça, abra os seus botões, a não ser que você se torne um lótus, mil pétalas de lótus, a não ser que a sua divindade seja revelada a você, você nunca estará satisfeito.Ao homem religioso comum é dito para que permaneça satisfeito e contente, em qualquer que seja a situação. Os chamados santos religiosos seguem ensinando às pessoas: 'fique satisfeito'. A satisfação é um de seus ensinamentos fundamentais. Esse não é o caminho dos verdadeiros Mestres.
          O Mestre verdadeiro cria o descontentamento em você, um tal descontentamento que nada neste mundo poderá satisfazê-lo. Ele cria um tal anseio em você, que a não ser que você alcance o máximo, você irá permanecer sem fogo, sem chama. Ele cria dor em seu coração, ele cria angústia...porque a vida está escorregando a todo momento, e cada momento que se foi, se foi para sempre, e você ainda não alcançou Deus e mais um dia já se passou.
          Ele cria um tal anseio profundo em você, uma tal dor em seu coração! Ele cria lágrimas em seus olhos, porque somente através desse divino descontentamento, você irá se mover, você dará o salto quântico, o salto maior em direção ao desconhecido. Somente através desse divino descontentamento é que você reunirá todas as suas energias e se arriscará, indo até a aventura maior que é descobrir quem você é.
          Siga a sua própria natureza. A sua natureza é a consciência. Mas os padres disseram a você: siga certas regras de conduta, os Dez Mandamentos, siga certos princípios, não a sua natureza. Os padres têm muito medo da sua natureza, porque se você seguir a sua natureza você irá sair de seu controle, você não será mais um escravo. Você não irá mais às igrejas, aos templos e aos mosteiros, e você não irá mais ouvir seus estúpidos padres, políticos, os chamados líderes. Eu digo que eles são os 'chamados líderes' porque o que na verdade está acontecendo é que pessoas cegas estão guiando pessoas cegas.
          Se você ouvir à sua própria natureza, você não irá ouvi-los mais. Se você conhecer a sua própria voz interior, você se tornará livre. Então, a sua voz interior tem que ser esmagada, destruída, completamente destruída, ou pelo menos distorcida de tal maneira que mesmo se você ouvi-la, você não poderá entendê-la. E eles têm sido bem sucedidos. A não ser que você lute arduamente contra eles, não haverá possibilidade de sucesso. A exploração deles é tão velha, a opressão deles é tão antiga, as estratégias deles são tão espertas... e eles têm um poder infinito em suas mãos. E quem é você individualmente contra eles?
          Mas se você for para dentro, se você ouvir o seu coração, você irá alcançar um tal poder que nenhum poder na Terra poderá escravizá-lo de novo.
          Siga a sua natureza. Mas como seguir a sua natureza, se você não sabe o que ela é? E não lhe é permitido saber o que ela é! Você recebeu instruções precisas sobre o que fazer: o que comer, quando levantar-se de manhã, quando ir para a cama...Você recebeu instruções precisas. Aquelas instruções, se seguidas, fazem de você um escravo. Se não seguidas, fazem de você um criminoso. Se seguidas, você se torna um santo, mas um escravo. As pessoas irão adorá-lo, respeitá-lo, mas todo esse respeito é um entendimento mútuo: 'Se você seguir as nossas instruções, nós respeitaremos você. Se você não seguir, você irá para a prisão.'
          Ou você se tornará espiritualmente um escravo ou fisicamente um prisioneiro: essas são as duas alternativas que a sociedade dá a você. E isso nunca permite a você se tornar consciente de que existe dentro de você uma fonte de infinita orientação e direcionamento. E é de lá que Deus fala.
          Deus ainda fala, ele não parou de falar. Ele não é parcial. Não é que ele tenha falado a Maomé e a Moisés e que ele não fala a você. Ele está falando a você tanto quanto ele falou para Maomé. A única diferença é que Maomé estava pronto para ouvi-lo e você não está pronto para ouvi-lo. Maomé estava disponível e você não está disponível.
          Tornar-se disponível à sua própria natureza interior é o que eu chamo de meditação.
          Lembre-se dessas duas palavras. O caráter é uma invenção dos políticos e dos padres, é uma conspiração contra você. A consciência é a sua natureza. Sim, o homem de consciência tem um certo caráter, mas esse caráter segue a sua natureza. Não lhe foi imposto por alguém, esse caráter é a sua própria decisão. E ele não está preso a esse caráter, ele está totalmente livre para mudá-lo a qualquer momento. As circunstâncias mudam, a sua consciência lhe dá diferentes direções e ele muda o seu caráter.
          O homem de caráter, o 'chamado homem de caráter', está preso. Mesmo se as circunstâncias mudarem ele segue repetindo o mesmo caráter, mesmo que não seja mais relevante, mesmo que não seja mais adequado. O contexto no qual ele tinha um significado desapareceu, mas ele segue repetindo as mesmas tolices. Ele é como um papagaio. Ele é uma máquina: ele não responde, ele simplesmente reage.
          Um homem de consciência responde e suas respostas são espontâneas. Ele é como um espelho. Ele reflete tudo aquilo que se confronta com ele. E a partir dessa espontaneidade, a partir dessa consciência, um novo tipo de ação surge. Essa ação nunca cria qualquer escravidão, qualquer carma. Essa ação liberta você. Você alcança a liberdade se você ouvir a sua natureza.
          Mas esse simples conselho parece ser muito difícil para as pessoas. Ele deveria ser a coisa mais simples do mundo. Cada criança nasce seguindo sua natureza, mas na medida em que você cresce, pouco a pouco você vai perdendo o contato com ela. Você é forçado a perder o contato com ela. O contato pode ser recuperado, ele pode ser redescoberto. Anos mais tarde, quando você tiver se tornado uma pessoa culta, preso dentro de um certo caráter, completamente cego para com seu coração e sua natureza, você começa a formular muitas perguntas.
          Outro dia, o Prem Vijen perguntou: 'Osho, o que você quer dizer quando você diz Vá para dentro?'
          Uma declaração tão simples, 'Vá para dentro', e você me pergunta 'o que eu quero dizer com ela?' Você não consegue entender estas simples palavras, 'vá para dentro'? Eu sei que você conhece as palavras, mas ir para dentro tornou-se muito difícil porque você só aprendeu como ir para fora. Você só pode ir para fora, você só sabe como ir, se for para fora.A sua consciência está voltada para os outros, ela esqueceu o caminho para ela mesma. Você segue batendo na porta dos outros e sempre que é dito a você, 'vá para casa' você diz: ' Osho, o que você quer dizer com ir para casa?' Você só conhece as casas dos outros, você não conhece o seu próprio lar. E você está carregando esse lar dentro de você. Você foi forçado a ser extrovertido. Você tem que aprender de novo o caminho de ir para dentro.
          Soren Kierkegaard disse: 'Religião significa ir para dentro', ir para a sua própria interioridade. Mas as simples palavras 'ir para dentro' tornaram-se tão difíceis de entender. A mente conhece apenas como ir para fora, e nela não há qualquer marcha a ré....
          Eu estou ensinando a você aqui que a marcha a ré está aí, embutida, você apenas se esqueceu dela. Você sabe como ir para fora. Ninguém pergunta 'O que você quer dizer quando diz 'vá para fora'?'. Mas todo mundo quer perguntar 'O que você quer dizer quando diz 'vá para dentro'?'. Simples palavras!
          Pensar é ir para fora e não pensar é ir para dentro. Pense e você já começou a se mover para fora de si mesmo. O pensamento é a maneira de levar você para longe. O pensamento é um projeto. Não-pensamento... e de repente você está dentro. Sem pensamento você não pode ir para fora, sem desejo você não pode ir para fora. Você precisa do combustível do desejo e do veículo do pensamento para ir para fora.
          Sentando-se silenciosamente, nada fazendo... nem mesmo pensando, nem mesmo desejando... e onde você estará?
          Ir para dentro não é verdadeiramente ir para dentro. É simplesmente parar de ir para fora... e de repente você encontra a si mesmo dentro.
          Prem Vijen, você não precisa ir para dentro porque se você for, você irá sempre para fora. Ir significa ir para fora. Pare de ir! Pare de ir a qualquer lugar! Você consegue sentar-se silenciosamente sem ir a qualquer lugar? Sim, fisicamente você pode sentar-se, isso não é muito difícil. Você pode aprender uma postura de yoga e você pode fazer de seu corpo quase uma estátua, mas o problema é: o que você está fazendo do lado de dentro? Desejos, pensamentos, memórias, imaginação, todos os tipos de projetos? Pare com eles também.
          Como parar com eles? Simplesmente torne-se indiferente a eles, despreocupado. Mesmo que eles estejam ali, não dê atenção a eles. Mesmo que eles estejam ali, não lhes dê qualquer importância. Mesmo que eles estejam ali, deixe-os estar. Sente-se silenciosamente do lado de dentro, observando. Lembre-se dessa palavra: observando, testemunhando, simplesmente estando alerta.
          E na medida em que esse observar cresce, se torna mais profundo, a mesma energia que estava se tornando desejos, pensamentos, memórias e imaginação, essa mesma energia é absorvida em nova profundidade. A mesma energia é usada por esse aprofundamento interno. E você saberá o que quero dizer quando digo 'Vá para dentro'.
          Não comece a procurar nos dicionários ou na Enciclopédia Britânica. Não é uma questão de palavras. Palavras são simples para compreender. Quando eu digo 'Vá para dentro', é isso exatamente o que eu quero dizer: vá para dentro! Não comece a perguntar sobre as palavras. Escute a mensagem oculta, senão você irá perder o trem. O que eu quero dizer com 'perder o trem'?.........
          Se você se tornar muito interessado em palavras, 'O que quer dizer com ir para dentro? O que isso quer dizer...?' Verbalmente, lingüisticamente, Vijen, você vai perder o trem. Não desperdice tempo com palavras!
          E essa é particularmente uma nova espécie de doença que tem atingido os intelectuais do mundo. Pelo menos por cinqüenta anos, o mundo filosófico tem se tornado muitíssimo interessado em palavras e análises lingüísticas. Eles não perguntam mais o que é Deus. Eles não perguntam mais se Deus existe ou não. Os filósofos contemporâneos perguntam, 'O que quer dizer quando você usa a palavra Deus?' A questão não é se Deus existe ou não. A questão não é o que é Deus. A questão não é como se alcança Deus. Agora a questão tomou uma nova direção: 'O que você quer dizer quando você usa a palavra Deus?' O que você quer dizer quando você usa a palavra rosa? Essa questão é mais fácil. Você pode pegar o filósofo, forçá-lo a ir até o jardim e mostrar a ele a rosa. 'Isso é o que eu quero dizer quando eu uso a palavra rosa'. Mas isso não pode ser feito com a palavra Deus, isso não pode ser feito com a palavra meditação, isso não pode ser feito com as palavras 'vá para dentro'. Estes são fenômenos sutis. Não se torne um interessado em lingüística. Eu não estou aqui para ensinar análise lingüística a você.
          Toda a minha abordagem é existencial. Se você realmente quer saber o que significa ir para dentro, então vá para dentro! E o caminho é: observe os seus pensamentos e não se identifique com eles. Simplesmente permaneça um observador, completamente indiferente, nem contra nem a favor. Não julgue, porque qualquer julgamento traz identificação. Não diga, 'Estes pensamentos são errados' e não diga, 'Estes pensamentos são bons'. Não faça comentários sobre os pensamentos. Deixe que eles passem como se eles fossem apenas a passagem do tráfego e você está de pé ali ao lado da rodovia despreocupado, olhando o tráfego. Não interessa o que está passando, um ônibus, um caminhão ou uma bicicleta. Se você puder observar o processo de pensamentos de sua mente com tal despreocupação, com tal desapego, não estará longe o dia em que todo o tráfego desaparece... porque o tráfego somente pode existir se você seguir dando energia para ele. Se você parar de dar energia para ele... E isso é o observar: parar de dar energia para isso, parar a energia que se move dentro do tráfego. É a sua energia que faz aqueles pensamentos se moverem. Quando a sua energia não os está alimentando, eles começam a cair, eles não conseguem se manter em pé por si mesmos.
          E quando a rodovia da mente estiver completamente vazia, você está dentro. Isso é o que eu quero dizer, Vijen, quando eu digo 'Vá para dentro'. E isso é o que Buda quer dizer quando ele diz: 'Siga a sua natureza'."


OSHO - The Book of the Books - Volume I - Discourse n. 3
Palestras sobre O Dhammapada, de Gautama, o Buda
Tradução: Sw.Bodhi Champak