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Fragmentos - Parte III


Já fui boa pessoa, agora sinto me um bicho do mato. Já fui carinhosa, agora retraio-me. Já levei tantas pauladas em cima que agora me fecho num casulo onde ninguém entra. Mas estou à espera do dia que a borboleta saia e volte a vida nem que seja por um dia. Quero voltar a ser aquilo que era. Apesar de saber que agora estou mais lutadora, com mais força para enfrentar os medos. Pensando bem…nunca tinha tido a experiencia de matar uma aranha e desde que estou separada já matei duas! Nunca pensei conseguir lidar sozinha com as contas da casa, com o preparar uma casa nova MINHA e só minha. Tenho apoio de duas pessoas apenas mas que têm sido como minha família. Sem essas duas pessoas não estaria aqui… já estaria em Portugal debaixo das saias da mãe.
   
(dia seguinte)

Volto a este texto que ontem ficou no ar. Passei um tempo a pensar nisto tudo e não cheguei a nenhuma conclusão. Quem sou eu afinal? Posso estar neste momento um “bichinho do mato” ou retraída a nível carinhoso mas verdade seja dita, eu não sou assim! Não posso dizer que isso me define porque não é verdade. Apenas estou numa fase que não consigo sacar esse meu “bem” de dentro. Ontem disse que era instável e sonhadora. Talvez porque nunca sei o que quero e quando sonho, quero o impossível. Ou quero tudo ao mesmo tempo, esquecendo me que a vida real não é “já” mas sim uma continuidade de tempo.
Quando fui viver para a minha casa nova, pensava cada dia que precisava de mil e uma coisas e não tinha dinheiro para elas. E desesperava. Hoje, aceito o que tenho, assumo que tenho o básico, o essencial e consigo ter algumas coisas supérfluas e não tenho 
pressa. Limito me a esperar ter dinheiro de sobra para comprar a maquina de lavar ou a televisão. São coisas que me fazem falta, sim, mas não posso desesperar se neste momento não tenho dinheiro para elas. Neste aspecto já mudei bastante. 

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