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Fragmentos - Parte IV

Em relação ao meu psicológico-amoroso, sou…como hei-de definir? Sou péssima! Mesmo! Nunca soube escolher bem os namorados. (realidade nua e crua) já tive mais de 50 namorados e nenhum me satisfez a 100%. Tive uma grande paixão, um grande amor e, a partir dessa desilusão nunca mais consegui entregar me a 100%. Conservei esse Amor durante muito tempo. Demasiado tempo. E agora, crio entraves a mim mesma. 

Creio já saber o que quero num homem, pois este Amor do passado que tanto amei já não corresponde àquilo que quero no presente. Preciso de um homem meigo e carinhoso, que me adormeça com festinhas, que me leve ao colo em passeio, que me mime com palavras e presentes (não coisas caras, mas miminhos pequenos, como uma simples flor de uma árvore). 
Aliás…já sei o que NÃO quero num homem. Muito mais do que sei o que quero. Não quero que seja obsessivo comigo, quero e exijo que me dê liberdade para sair, passear e ter momentos sozinha, não quero que seja bruto (também não quero uma florzinha que mais parece um maricão que é o que está na moda hoje em dia…demasiada delicadeza também não!), não quero que me fale alto quando discutimos, não quero nunca que me vire as costas quando estamos a falar e muito menos que aceite irmos para a cama zangados! Não quero que fique em casa, sem querer sair. São coisas que não quero num homem, são coisas que não aceito não tolero e não suporto…nada! Não quero que me minta, nem quero que desconfie de mim. (já reparei que quanto mais desconfiam de mim, mais eu me zango e acabo por fazer asneiras)
Não quero mais ter medo de sair só porque o namorado ou marido se possa zangar. Não quero mais deixar de estar com um amigo só porque o namorado ou marido tem ciúmes. Não quero mais suportar a ideia de estar com um homem só porque fica bem, porque tem de ser, porque é assim que a sociedade quer que seja.   





Sempre fui o tipo de menina de quanta mais liberdade me dão, menos asneiras faço. Disso estou segura, pois tive um relacionamento tão aberto e tão liberal que nenhum dos dois saiu mal da relação. Eu saía para as festas, ele também ia, saiamos juntos, conhecíamos imensa gente nova nas festas, confiávamos um no outro a 100%. Lembro me de ter sido o típico namoro de verão, que durou 1 ano e meio! E se eu consegui ser feliz nesses momentos, porque não posso ser feliz outra vez, dessa maneira?


Tenho saudades de passear na praia, de passar horas na toalha a conversar com as amigas e amigos sobre tudo e mais alguma coisa, de ter o namorado a chegar da agua, todo molhado e deitar-se em cima de mim e eu aos gritos com ele, mas mais feliz que uma perdiz…
Quero voltar a sentir isto! Quero que chegue o calor aqui em Andorra e eu possa fazer piscina ou mesmo ir à praia num Domingo. Quero poder ter as minhas férias (que há anos que não tenho) sozinha! Completamente sozinha! Passar 15 dias em família, apenas com os meus pais e deixar o namorado um pouco de lado. Porque preciso do meu espaço!
Estou a adorar viver sozinha. Ter a minha casa! Adoro poder vir trabalhar e (ainda que seja raro), poder vir trabalhar deixando os pratos na mesa porque não me apeteceu lavá-los porque me perdi a ler mais um livro de Moccia!... isto eu chamo LIBERDADE! E é isto que eu preciso! Não é sair, embebedar-me ou estar com homens… é estar comigo mesma e aproveitar todos os momentos comigo mesma. Porque nunca tive isso! Ou melhor dizendo, há anos que não tinha isto. Recordo-me em Braga, quando vivi sozinha a primeira vez…como não estava habituada sempre tinha alguém a dormir comigo. (pouparei pormenores desta fase da minha vida)  Infelizmente nessa altura não soube aproveitar para me conhecer melhor e aprender a lidar comigo. Mas lembro me de sair feliz de casa, após ver a novela e vestir me toda poderosa para ir (de táxi) a 1h (ou 2h) da manha para a discoteca!...sozinha! Sempre havia pessoal conhecido mas eu adorava ir sozinha! Na minha onda, sem problemas, nunca fui de beber muito então chegava sóbria e ria-me dos conhecidos bêbados dessa tal discoteca. Bons tempos… mas agora já não sou assim. Agora já não quero sair! Aliás, quero sair, mas não dessa maneira. Tenho saudades de uma boa noite de festa como tinha em Portugal. Aqui em Andorra as festas não são boas, o ambiente é pior ainda e não nos divertimos tanto como antes. Espero nas férias apanhar algum festival ou alguma festa pois preciso disso! Anseio por um pouco de loucura na minha vida! Só um pouquinho! Mas preciso mesmo!..


E estou a divagar em pensamentos, mas confesso que há muito que não me lembrava de mim mesma! Daquilo que eu era. Que apesar de ter tido épocas (enfim…) estranhas, sempre fui dona de mim mesma! Com os medos e problemas (é normal) mas era EU!
Noto agora que cada namorado novo que arranjo, transformo-me. Deixo de ser eu mesma de novo para “agradar” ao outro. E ao longo do tempo, a minha essência perdeu-se. Lamento me por isto, lamento me mais ainda só ter dado conta agora. E não quero mais ser assim. Não quero mais continuar assim. Quero ser eu mesma. No meu total esplendor.

Nunca fui de ter muitos amigos. E ainda não descobri o porquê disso. Uns dizem me que sou demasiadamente mente aberta e por isso, muitas pessoas não me entendem ou não me aceitam. Outros afastam-se de mim porque não entendem a minha instabilidade. Neste factor até os compreendo. Nem eu ia querer uma amiga como eu, quando estou com os azeites.
Por isso agora estou sozinha. Cometi uns quantos erros após a separação com o marido e todos os “amigos” que eu tinha desapareceram. Talvez seja porque não eram amigos de verdade. Eu costumo pensar assim, mas agora já me pergunto se o problema não serei eu. De momento não me apetece conhecer gente nova. Vou me dando com algumas pessoas e isso basta-me. Agora se preciso de alguém para sair não tenho e se quero conversar com alguém, tenho os amigos de Portugal no Facebook. Amigos esses que permanecem. Poucos mas bons. Aqui em Andorra sempre me disseram que não há amigos. Há apenas pessoas temporárias que aparecem na tua vida para te ajudar e depois desaparecem. Já reparei que isso é verdade. Muitas pessoas me ajudaram mas não ficaram. Ou porque errei eu, ou porque erraram elas, mas as amizades aqui não se conservam muito tempo. Outra coisa que lamento.

E tentando me conhecer, pelo menos vou me lembrando do que sou ou do que já fui e gostaria de voltar a ser. Não estou muito diferente mas tenho outras ideias e outros ideais de vida. Quero voltar a estar como estava. Esse sorriso, essa harmonia e “o mundo é meu!” 

Será difícil chegar a esse “nirvana” mas não há nada como tentar. Quero a minha liberdade, quero o meu bem estar, quero ter objectivos concretos e lutar por eles. Leva o seu tempo, eu sei. Mas eu hei-de chegar lá.    




Fragmentos - Parte III


Já fui boa pessoa, agora sinto me um bicho do mato. Já fui carinhosa, agora retraio-me. Já levei tantas pauladas em cima que agora me fecho num casulo onde ninguém entra. Mas estou à espera do dia que a borboleta saia e volte a vida nem que seja por um dia. Quero voltar a ser aquilo que era. Apesar de saber que agora estou mais lutadora, com mais força para enfrentar os medos. Pensando bem…nunca tinha tido a experiencia de matar uma aranha e desde que estou separada já matei duas! Nunca pensei conseguir lidar sozinha com as contas da casa, com o preparar uma casa nova MINHA e só minha. Tenho apoio de duas pessoas apenas mas que têm sido como minha família. Sem essas duas pessoas não estaria aqui… já estaria em Portugal debaixo das saias da mãe.
   
(dia seguinte)

Volto a este texto que ontem ficou no ar. Passei um tempo a pensar nisto tudo e não cheguei a nenhuma conclusão. Quem sou eu afinal? Posso estar neste momento um “bichinho do mato” ou retraída a nível carinhoso mas verdade seja dita, eu não sou assim! Não posso dizer que isso me define porque não é verdade. Apenas estou numa fase que não consigo sacar esse meu “bem” de dentro. Ontem disse que era instável e sonhadora. Talvez porque nunca sei o que quero e quando sonho, quero o impossível. Ou quero tudo ao mesmo tempo, esquecendo me que a vida real não é “já” mas sim uma continuidade de tempo.
Quando fui viver para a minha casa nova, pensava cada dia que precisava de mil e uma coisas e não tinha dinheiro para elas. E desesperava. Hoje, aceito o que tenho, assumo que tenho o básico, o essencial e consigo ter algumas coisas supérfluas e não tenho 
pressa. Limito me a esperar ter dinheiro de sobra para comprar a maquina de lavar ou a televisão. São coisas que me fazem falta, sim, mas não posso desesperar se neste momento não tenho dinheiro para elas. Neste aspecto já mudei bastante. 

Fragmentos - Parte II


*FISICAMENTE*
Não sou gorda nem magra, estou bem para uma menina de 25 anos. (claro que podia minimizar a gordurinha acumulada, mas sou muito mas muito preguiçosa e detesto fazer exercício) Amo o meu cabelo, tento sempre tê-lo bonito e arranjado. De cara não estou mal. Gosto do que vejo no espelho e gosto mais ainda quando sorrio para mim e me digo coisas bonitas (acontece imensas vezes), sendo assim, tento ter a minha auto-estima sempre em cima. De corpo, lá está, é essa gordurinha que não consigo deixá-la. Faz parte de mim mas não incomoda muito. Adoro vestir calças de ganga. Tenho vergonha das minhas pernas (é verdade), no verão ninguém me vê de saias e quanto muito posso usar uns calções ou vestido curto só porque vou à praia ou piscina. Sou muito estilo calças-de-ganga-t-shirt-e-um-casaquinho e não passo horas a ver o que vestir. Nisso sou simples; como renovo constantemente de roupa, gosto de tudo o que tenho por isso “qualquer coisa” fica me sempre bem. Detesto escolher sapatos para calçar. Dos 52 mil que tenho, nunca nenhum me fica a 100% (totalmente o contrario da roupa). Então posso estar toda bonita de roupa e os sapatos não combinam e eu passo me! Não gosto disso! (aqui pode se notar nos meus “azeites momentâneos”)
Por fora não estou mal. vá. Sendo muito sincera, gosto do que vejo. Não sou perfeita, mas sou “eu” e isso ninguém me tira.

*PSICOLOGICAMENTE*
Sou muito mas muito instável. Talvez a palavra que me defina seja mesmo essa. Instabilidade. Em tudo. Estou em constante mudança. Nunca sei o que quero. Já quis ser mil e uma coisas e nunca me decidi em nenhuma. A única que se pode manter ao longo dos anos é a minha incrível paixão por hotéis. Sempre quis ter um hotel e, aqui em Andorra, de vez em quando ouve-se que se vende um ou outro hotel por aqui e entra-me aquele bichinho de querer ter um hotel meu. Sempre pensei que um dia seria a recepcionista do “meu” próprio hotel. Porque adoro recepção, adoro que os hospedes que sintam em casa. Já trabalhei em hotéis e trago boas recordações desses lugares. Desde clientes que me traziam bolos, a desenhos de crianças ou até mesmo mensagens de Natal ou Ano Novo dos clientes que todos os anos frequentavam o hotel. Estudei Línguas Aplicadas na Universidade do Minho (curso o qual não o conclui), na esperança de um dia poder “aplicá-las” numa recepção de um hotel em Nova York, Barcelona, Brasil ou mesmo Paris. Mas nada disso resultou até agora. Já fiz muita coisa mas neste momento não faço nada mais do que estar numa loja de ouro, com um computador, em Andorra e o que mais falo é o meu idioma nativo, o português. (Com isto não me queixo do meu trabalho, até porque descobri que tenho vocação para isto, mesmo sendo um trabalho temporário…todos sabemos que um dia o ouro deixará de ter tanto valor como o tem agora)
Quem sabe, num dia que tenha de mudar de trabalho, volte à hotelaria. Sonhos todos temos e eu sou uma extrema e exagerada sonhadora. Outra característica minha. Idealizo coisas que não existem (o que por vezes é péssimo), sonho com o mais romântico príncipe e sempre acabo por “despertar” da pior maneira possível. Toda a minha vida quis um homem carinhoso e meigo, alto e musculoso, que me oferecesse pequenos presentes todos os dias, que me levasse a ver as estrelas (literalmente falando) enrolados juntos numa manta felpuda, que me levasse a passear na praia descalços, que me oferecesse flores, que me levasse a jantar obrigando me a vestir me muito clássica e sensual… isto tudo porque vejo muitos filmes de amor. Sou uma romântica de morte! Até enjoo por vezes de ser assim. Mas a verdade é que o sou. Com todas as minhas forças. E durante muito tempo deixei de o ser. Porque tudo o que descrevi em cima NUNCA o tive! E anseio o dia que estas coisas me aconteçam, que me sinta num desses filmes de amor onde “vivem felizes para sempre”.
Continuando no psicológico, estas característica acima referidas são as que mais se notam pois ambas são boas e más ao mesmo tempo e completam-se. Não saber o que quero e o que quero não o tenho. E essa instabilidade que me acompanha toda a vida. Namorados…mil e um. Amigos…foram e vieram. Família…neste momento estou longe.

Noto que paro aqui. Não me sei definir… não me consigo definir. Como sou afinal? Sou…instável e sonhadora. E não sou nada mais?

Fragmentos - parte I

Tentei encontrar alguma coisa. Mas no fundo, não procurava nada em concreto. E se não és minimamente especifica naquilo que queres, o Google não encontra nada do que pretendes ou possas pretender. Hoje aconteceu-me isso. Queria algo. Mas não sabia o quê então desisti de procurar por esse “algo” que nem eu mesma sabia o que era. Continuo sem saber o que quero procurar. E isto pôs me a pensar. 

Se não sei o que quero…como vou ter uma vida plena? Se os meus objectivos são mudados a cada hora porque não os tenho definidos, como posso atingi-los? Ou até mesmo quando vejo os catálogos das lojas que gosto, como posso eu comprar algo se ainda nem descobri qual o meu estilo? São perguntas fúteis e mesquinhas mas que me fazem pensar que estou no abismo da crise existencial momentânea.
Pode durar um dia, uma hora ou toda a vida. Neste momento estou a passar por uma crise dessas. De não saber o que quero, de não saber quem sou, de não saber para onde quero ir. Estou como uma marioneta. Deixo me levar pelo tempo pois não tenho rumo.
Quando paro para pensar “naquela” pergunta mágica: quem sou?...fico assustada. Porque ainda me estou a descobrir. Desde a separação que me perdi e não sei ainda bem o que sou gosto ou quero. E acreditem que é a pior sensação do Mundo!

Quem sou? Sou uma menina. (ora aqui não há duvidas) Mimada. (muito) Sou feliz. (sou; apesar de tudo sou) Tenho os meus azeites a cada duas por três mas isso é o que me define. Ora estou bem, como dentro de um bocado estou mal. Não sou bipolar, sou parvinha mesmo.
 

Crises #297634

Voltou me a passar algo que não passava há muito tempo. A “tal” crise de pânico. 

Desde que tenho um namorado novo que nunca mais me passou. E ontem deu-se uma crise tão grande que, como há muito que não tinha, mal soube controlá-la e tive mesmo de recorrer aos calmantes. A pergunta que me faço hoje, quando penso no assunto é: será que é por estar em busca do equilíbrio pessoal e tranquilidade com o meu “eu” que me dão estas crises? Será o meu subconsciente a lutar comigo? Será esta calma que tanto estou a buscar que faz com que me sinta com ansiedade? E então questiono me como poderei solucionar isto? Porque não me consigo controlar. Entretanto toda a calma que tinha, foi-se. 
Voltaram os apertos no peito, a ansiedade constante e as diarreias (que sempre me passa quando estou nervosa). 

Pergunto me hoje, como poderei eu chegar ao meu equilibro se estou em luta constante comigo mesma? Se tudo o que tenho cá dentro se transforma em ansiedade e me mata por dentro? E isso vê-se por fora… Preciso de encontrar uma forma de me “curar”. E, se alguém lê isto e me pode ajudar, por favor que me diga algo. Porque não sei lutar comigo mesma. Não sei o que fazer. Perco me em mil pensamentos e fico pior. E quando tento controlar-me com respiração ou mesmo com meditação, fico pior. E voltam os ataques de pânico. 

Não quero voltar a recorrer a calmantes. Não quero voltar a andar com sono e sem vida. Porque hoje mesmo adormeci pela manha. E eu não sou assim. Não quero que os comprimidos ganhem e/ou me superem. Quero superar me "eu" a mim mesma. E estou numa fase que não sei como fazê-lo. Estou num turbilhão de emoções incontroláveis. Num tsunami de pensamentos sobre tudo. Anseio porque vou EM MAIO (falta ainda imenso tempo) a Portugal. Anseio porque estou ainda em processo de separação (que só terminará, se tudo correr bem, EM JULHO). Anseio tudo aquilo que não tenho. E estou a deixar me levar por estas emoções que me atormentam… 

Estou de volta ao “sofrimento por antecipação” e eu achava que isso já tinha acabado. Mas não! Está de volta! E com mais força que nunca! Tento meditar. Tento acalmar-me, fazer respirações yoga para remover maus pensamentos, penso que não preciso de estar ansiosa, penso que tenho de viver o Hoje. E lá vem ao meu pensamento o “mas pensa também no futuro…olha o que ainda tens por fazer!” e isso mata-me por dentro! Por isso escrevo. Solto estes pensamentos obscuros que tenho. Solto tudo o que tenho cá dentro. Esta raiva de não querer estar assim e não saber como controlar… não saber o que fazer. 

“Foi só uma vez!” disse o Baby. Sim, foi só uma vez, mas as consequências sempre se dão no dia seguinte… E no outro, e no outro… até voltar tudo outra vez! 

Será que algum dia vou poder ser uma pessoa normal? E, se possível, equilibrada e tranquila comigo mesma?

Fantástico!

Aconselho toda mas tooooda a gente a ver isto. É sensivel e terno e mistura a realidade com a imaginaçao. Só quem lê livros entende...só quem vive as histórias poderá amar esta curta-metragem como eu!

Terapia #517628

(Longo...muito longo...)

 Ando em terapia. Terapia pessoal. Já passaram 2 meses desde que estou numa relação nova e verdade seja dita, só agora consegui parar para pensar em tudo o que me rodeia. Sempre me disseram que “se queres conhecer bem o teu marido, divorcia-te dele” e efectivamente isso tem tido tudo a ver com o meu presente. Mas espero poder contar a minha historia em Julho, quando assinarmos os papeis. De momento estou interessada nada mais nada menos em mim e na minha nova vida. Cheguei ao ponto de questionar-me “quem sou?”. Poderão achar uma estupidez, mas a verdade é que já tive tantos relacionamentos e já passei por tanta coisa a nível sentimental que me perdi. Era sempre aquilo que os outros queriam que eu fosse e nunca era eu mesma. Ate que cheguei ao ponto que já não sei quem sou na realidade.

 Ontem, numa conversa séria e pesada, disseram me que podia dar e fazer muito mais do que aquilo que dou ou faço. E é verdade. Recordo me outrora ser uma pessoa extremamente mimada, carinhosa, alegre, sempre a sorrir e sempre de bem com a vida! Recordo momentos onde me diziam que mesmo que estivesse mal, sempre estava bem e, por isso, muitas vezes me comparavam à minha mãe pois ela também é assim. Essa menina desapareceu. Escondeu se ou fugiu (ainda não consegui entender). Por isso decidi procurá-la. Sei que cresci, que me desenvolvi muito e devido ao meu passado, mudei muitas coisas em mim. Mas confesso que gostaria de recuperar pelo menos o carinhosa e alegre que eu era no passado. O objectivo agora é tentar chegar ao ponto inicial (ou final). Onde foi e em que momento mudei? Ainda não sei.

 Lembro me dos meus 14 anos. Era uma menina inocente e vadia. Tudo era à minha maneira e como eu queria e ninguém me passava por cima. Hoje em dia deixo que me pisem e vou abaixo constantemente. Com 14 anos amei muito. Tive o meu primeiro amor e a minha primeira desilusão. E sei, que foi a partir dai que deixei de ser a “princesa” que sonhava ser um dia. Porque a partir desse momento tomei a decisão (estúpida) que amaria esse rapaz (agora um homem) o resto da minha vida e, se não ficasse com ele, ficaria com alguém igual a ele.

 Lembro me de ter 20 anos. E conhecer um homem igual (ou minimamente igual) ao tal ex dos 14 anos. E fui muito feliz com ele. Mas a separação repentina e a distancia levaram a um final penoso para os dois. E a partir dai foi um cair num sem fim de historias e relacionamentos falhados.

Decidi parar. E casei como homem que mais me completava. Mas ainda assim não foi possível manter me com ele mais de um ano pois, como já se sabe, estou separada dele. E agora tenho um namorado novo. Com quem estou a tentar construir a minha vida de novo. Mas desta vez quero ir devagar. (já por isso agora vivo sozinha e não vou à maluca viver ou mesmo casar com ele tão cedo). E foi ele que me disse que eu não era “eu”. Que eu podia ser mais. Podia fazer mais. Podia dar mais de mim. E não o estou a fazer por medo. Por raiva. Por estar de pé atrás com tudo e todos. Porque perdi muito. Perdi muita coisa nos últimos anos. E sei que vou continuar a perder. Mas a verdade é que sinto vontade de ganhar mais do que perco. Porque tenho perdido mais do que ganho.

 Quando faço uma retrospectiva da minha vida penso:

 - Tive um sem fim de relacionamentos falhados;

 - Não acabei o meu curso da universidade porque nunca fui responsável a esse ponto. E ate cometi a aventura de deixar o curso e o país para vir viver para Andorra (com o meu ex marido).

 - Não tenho um tipo de homem ideal. Há tempos fiz uma lista do que queria de um homem mas era tão fútil que a tive de a rasgar com a vergonha.

 - Casei com um homem que idealizava ficar com ele o resto da minha vida e não funcionou.

Afinal o que quero eu? Porque se eu não souber o que quero, irei continuar com a minha vida falhada. Achava que a culpa era “deles”, mas dou conta (cada vez mais) que eu a longo do tempo fui me despegando dos relacionamentos. Cada desilusão amorosa que tinha contribuía para cada vez mais me afastar, ser mais fria, e querer tudo à minha maneira de tal maneira que, se não fosse como eu queria, eu deixava a pessoa. E tal voltou a acontecer agora no meu curto casamento. Não me dava “tudo” o que eu queria, eu não me sentia feliz e completa e tive de o deixar. Não por não amá-lo, porque sinceramente nem sei se alguma vez cheguei a amar alguém (a parte do amor inocente dos 14 anos), mas porque eu própria não me sentia bem.

 Tenho lido livros e pesquisado imenso na internet sobre este tipo de coisas do auto conhecimento e afins. (Por vezes chego a pensar que devo estar maluquinha e que é uma estupidez o que estou a fazer; mas a verdade é que tem funcionado.) Tenho me questionado cada dia, tenho me recordado de coisas cada dia, tenho me controlado cada dia mais sobre os meus assuntos mais íntimos, tentando que não me afectem no meu dia-a-dia mas ao mesmo tempo pensar neles com carinho e ir perdoando (e ir me perdoando) cada um deles. E aos poucos estou me a libertar.
Ainda é cedo para dizer que “já passou” pois ainda não estou “curada”, mas agora, a minha intenção mais difícil é a meditação. Quero começar a meditar e ir ao meu mais intimo buscar o que me preocupa. Será a tarefa mais difícil da minha vida.

 Lembro me da primeira e única vez que meditei. Primeiro tive um montão de comichões. Não conseguia estar quieta e tudo me assustava. Ate o silencio me assustava. Mas quando consegui concentrar me em mim mesma, vi o meu ex namorado (um deles, talvez o mais difícil de superar). Vi me com ele, numa praia, a nadarmos nus, como tínhamos feito outrora numas ferias e eu estava feliz. Era um momento tão simples e tão feliz (e que eu já nem me lembrava) que desatei a chorar. Porque durante 3 anos odiei-o tão mas tão fortemente que ao lembrar me dele num momento tão bonito, senti raiva de mim. Por que raio estava eu a pensar nele e alem do mais, estava a pensar numa coisa tão bonita. Então a minha voz interior falou. “Foram momentos lindos e muito feios que passaste com ele mas foram momentos. Não os deves esquecer muito menos odiar alguém que outrora te amou tão loucamente que te chegou a magoar por isso mesmo. Mudou te ao ponto que TU quiseste mudar! Nunca mas nunca te obrigou nada, nunca te fez mal e sempre foi o mais atencioso contigo. Sim, cometeu erros. E tu? Não cometeste mil erros com ele também? Porque não o perdoas? Porque não te perdoas a ti mesma? Não o odeies! Ama-o! Ama o que tiveram e esquece. Deixa o ir! Esquece-o! Perdoa-o!”
Fiquei sem saber o que fazer à minha vida! E foi assim que perdoei o homem que mais infeliz me fez mas que, no seu momento, gostei muito dele e tivemos momentos muito felizes.

Tenho medo de voltar a meditar. Medo do que possa ver ou sentir. Porque passei muito mal com esse momento e senti me tão mal comigo mesma, por ser má! Eu não sou má! Mas tenho momentos que me sinto a pessoa mais maldosa do mundo. E sinto me mal por isso. Porque já tive tantos namorados que gostaram de mim a sério (!!!) e eu deixei-os por caprichos, por não estar satisfeita.

Vamos ver uma coisa…quem é que está 100% satisfeito nesta vida? Ninguém! E porque hei-de eu buscar o impossível??? O que eu quero e preciso agora é encontrar o equilíbrio. O MEU equilíbrio. Preciso de saber o que EU quero para mim e o que quero ou não fazer, para poder estar com alguém estável e em equilíbrio. Discussões todos temos, problemas todos temos, defeitos…todos mas todos temos! Por que não estar com alguém e aceitar os seus defeitos?
Eu sou muito pontual. O meu namorado não é. Vou deixa-lo por isso? Claro que não! Arranjemos uma solução para os dois! Encontremos o nosso equilíbrio! Eu gosto muito de receber mimo. O meu namorado também. Porque não nos mimamos mais um ao outro? Em vez de eu estar sempre a pedir, porque não começo a dar? Eu preciso do meu tempo. Preciso de saber gerir o meu próprio tempo, as minhas tarefas. Passo a vida a fazer listas de tudo e a ver no Pinterest coisas de organização pessoal e da casa… mas eu não tenho sentido NENHUM de organização! Porque a minha própria cabeça e o meu equilíbrio interior não estão organizados! E enquanto isso não estiver no equilíbrio que deve estar, será impossível organizar o resto da minha vida!

Sendo assim, depois de toda esta palestra, tomei a decisão de começar a meditar e a pensar bem naquilo que quero. De momento uma coisa tenho clara! Gosto do meu trabalho, da minha casa nova e do meu namorado. São 3 factores que não tenciono mudar. Agora o que tenho de fazer é aprender a gerir o tempo entre estes três e saber equilibrar tudo. Porque no meu trabalho aproveito nos momentos tranquilos para escrever ou para ler um livro; em casa é o meu espaço, é onde gosto quero e preciso de estar e o namorado é com quem eu quero estar neste momento. Com quem quero partilhar a minha vida, os meus hábitos (que também já não sei quais são) e as minhas paranóias (que também já não sei quais são).

Estou em busca da minha própria identidade. Sei que posso ser muito melhor. Muito melhor mesmo! Mas tem o seu tempo. Tudo tem o seu tempo. E o meu tempo chegou agora. Está na hora.

 “Olhe para o seu coração”. - Buda