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Aquilo que faço vs Aquilo que sou

Cá estou eu com os meus pensamentos fantásticos de querer ir me embora e tentar descobrir para onde irei. Não. Não decidi nem vou decidir em cima do joelho. Não quero fazer isso. Mas sou uma nómada. E sei que não fico aqui por muito tempo. Mas este “muito tempo” pode muito bem ser mais de um ano.  Como posso ser despedida e ser um mês. Por isso não faço planos.

O trabalho aqui está a correr bem. Adoro o que faço. Dentro dos possíveis da crise, a empresa não está mal. Vivemos da crise. Compramos ouro a quem não tem dinheiro. Damos dinheiro às pessoas que o necessitam. E, ainda que isto seja um negocio, acabamos por ajudar quem precisa. Tenho clientes maravilhosos aqui. Que me contam as suas historias, que me tocam no coração, que me dizem para que querem o dinheiro e outros que, com muito pesar, me contam as historias das suas jóias. Muitos deles, vendem pouco a pouco o seu ouro. Não querem vender tudo de uma vez porque como o ouro é uma constante mudança de valores, num dia podemos perder tudo e no outro sair a ganhar. Quem já vendeu o seu ouro não perdeu muito. Neste momento o ouro está a baixar tanto (e especialistas informam que continuará a baixar até finais de 2014) que as pessoas só vendem mesmo quando precisam! Já não é uma questão de “investir” na venda e ter dinheiro extra. Porque na verdade, já não compensa. Neste momento perde-se dinheiro. Se se vende agora. Mas obvio que todo o ourinho que aparece aqui, eu tenho de comprar. É o meu trabalho. É o meu salário. E muita gente não entende isso. À parte das cotações e afins, há um local para pagar, a luz, a internet, o salário da funcionaria… tudo isso são gastos. Já para não falar de um pequeno lucro que também é necessário para que uma empresa funcione.

Esta é a realidade dos factos. Pagamos o justo. Há uma cotação do momento. Fazemos contas e pagamos. Não há falcatruas, não há enganos. É preto no branco. Está tudo muito fácil de ver na internet. É um trabalho impossível de enganar. Como muito podemo-nos enganar a saber (com ácidos, balanças de agua, etc.) o tipo de quilatagem. Mas até nisso é quase impossível. Quem trabalha há muito nisto (como eu) sabe bem quando uma peça é ouro ou não. Bom ou não. Alta ou baixa quilatagem.

E quando chegam “esses” clientes que dizem que o ouro deles é o melhor, de 24k. E afinal verificamos e não é mais do que 18k ou 19k. E às vezes 14k!! (aqui há franceses espectaculares, mas há outros que só uma espingarda na testa os salva) Isto não é “ouro bom”! É peça boa! Se for bem trabalhada. É de confiança! Se tiver marca da fabrica e/ou contraste. Mas a quilatagem será sempre o que importa neste trabalho! Compra-se a grama, a peso e a quilatagem.


E isto é o meu dia e dia. E gosto muito do que faço. Porque apesar de tudo, acabo sempre por ajudar alguém todos os dias! :)
E é isto que me mantém em Andorra. Este trabalho. Poder acordar todos os dias pela manha e gostar do que vou fazer durante as próximas 8 horas. Dedicar-me a 100% a este trabalho. Como se fosse meu. E gosto. E isso nota-se. E os clientes vêem isso.

No dia que isto termine, será esse o dia da minha partida. No dia que deixe de gostar do meu trabalho, do que faço ou mesmo que me mandem embora…esse será o dia que irei embora daqui. Com ou sem moveis. E aí sim, já decidirei para onde vou.
Até lá, aproveito cada momento aqui. Cada historia que me contam. Cada jóia que compro e adoro destruir. Cada quantia de dinheiro que dou. Cada sorriso que “compro”. Porque é isso mesmo. Compro sorrisos. Dão me ouro em troca e eu dou sorrisos e vidas mais tranquilas. Ainda que seja temporariamente.

Enquanto gostar disto…não tenho coragem de me ir embora. 

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