Voltou me a passar algo que não passava há muito tempo. A “tal” crise de pânico.
Desde que tenho um namorado novo que nunca mais me passou. E ontem deu-se uma crise tão grande que, como há muito que não tinha, mal soube controlá-la e tive mesmo de recorrer aos calmantes. A pergunta que me faço hoje, quando penso no assunto é: será que é por estar em busca do equilíbrio pessoal e tranquilidade com o meu “eu” que me dão estas crises? Será o meu subconsciente a lutar comigo? Será esta calma que tanto estou a buscar que faz com que me sinta com ansiedade? E então questiono me como poderei solucionar isto? Porque não me consigo controlar. Entretanto toda a calma que tinha, foi-se.
Voltaram os apertos no peito, a ansiedade constante e as diarreias (que sempre me passa quando estou nervosa).
Pergunto me hoje, como poderei eu chegar ao meu equilibro se estou em luta constante comigo mesma? Se tudo o que tenho cá dentro se transforma em ansiedade e me mata por dentro? E isso vê-se por fora…
Preciso de encontrar uma forma de me “curar”. E, se alguém lê isto e me pode ajudar, por favor que me diga algo. Porque não sei lutar comigo mesma. Não sei o que fazer. Perco me em mil pensamentos e fico pior. E quando tento controlar-me com respiração ou mesmo com meditação, fico pior. E voltam os ataques de pânico.
Não quero voltar a recorrer a calmantes. Não quero voltar a andar com sono e sem vida. Porque hoje mesmo adormeci pela manha. E eu não sou assim. Não quero que os comprimidos ganhem e/ou me superem. Quero superar me "eu" a mim mesma. E estou numa fase que não sei como fazê-lo.
Estou num turbilhão de emoções incontroláveis. Num tsunami de pensamentos sobre tudo. Anseio porque vou EM MAIO (falta ainda imenso tempo) a Portugal. Anseio porque estou ainda em processo de separação (que só terminará, se tudo correr bem, EM JULHO). Anseio tudo aquilo que não tenho. E estou a deixar me levar por estas emoções que me atormentam…
Estou de volta ao “sofrimento por antecipação” e eu achava que isso já tinha acabado. Mas não! Está de volta! E com mais força que nunca!
Tento meditar. Tento acalmar-me, fazer respirações yoga para remover maus pensamentos, penso que não preciso de estar ansiosa, penso que tenho de viver o Hoje. E lá vem ao meu pensamento o “mas pensa também no futuro…olha o que ainda tens por fazer!” e isso mata-me por dentro!
Por isso escrevo. Solto estes pensamentos obscuros que tenho. Solto tudo o que tenho cá dentro. Esta raiva de não querer estar assim e não saber como controlar… não saber o que fazer.
“Foi só uma vez!” disse o Baby. Sim, foi só uma vez, mas as consequências sempre se dão no dia seguinte… E no outro, e no outro… até voltar tudo outra vez!
Será que algum dia vou poder ser uma pessoa normal? E, se possível, equilibrada e tranquila comigo mesma?
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Fantástico!
Aconselho toda mas tooooda a gente a ver isto. É sensivel e terno e mistura a realidade com a imaginaçao.
Só quem lê livros entende...só quem vive as histórias poderá amar esta curta-metragem como eu!
Terapia #517628
(Longo...muito longo...)
Ando em terapia. Terapia pessoal. Já passaram 2 meses desde que estou numa relação nova e verdade seja dita, só agora consegui parar para pensar em tudo o que me rodeia. Sempre me disseram que “se queres conhecer bem o teu marido, divorcia-te dele” e efectivamente isso tem tido tudo a ver com o meu presente. Mas espero poder contar a minha historia em Julho, quando assinarmos os papeis. De momento estou interessada nada mais nada menos em mim e na minha nova vida. Cheguei ao ponto de questionar-me “quem sou?”. Poderão achar uma estupidez, mas a verdade é que já tive tantos relacionamentos e já passei por tanta coisa a nível sentimental que me perdi. Era sempre aquilo que os outros queriam que eu fosse e nunca era eu mesma. Ate que cheguei ao ponto que já não sei quem sou na realidade.
Ontem, numa conversa séria e pesada, disseram me que podia dar e fazer muito mais do que aquilo que dou ou faço. E é verdade. Recordo me outrora ser uma pessoa extremamente mimada, carinhosa, alegre, sempre a sorrir e sempre de bem com a vida! Recordo momentos onde me diziam que mesmo que estivesse mal, sempre estava bem e, por isso, muitas vezes me comparavam à minha mãe pois ela também é assim. Essa menina desapareceu. Escondeu se ou fugiu (ainda não consegui entender). Por isso decidi procurá-la. Sei que cresci, que me desenvolvi muito e devido ao meu passado, mudei muitas coisas em mim. Mas confesso que gostaria de recuperar pelo menos o carinhosa e alegre que eu era no passado. O objectivo agora é tentar chegar ao ponto inicial (ou final). Onde foi e em que momento mudei? Ainda não sei.
Lembro me dos meus 14 anos. Era uma menina inocente e vadia. Tudo era à minha maneira e como eu queria e ninguém me passava por cima. Hoje em dia deixo que me pisem e vou abaixo constantemente. Com 14 anos amei muito. Tive o meu primeiro amor e a minha primeira desilusão. E sei, que foi a partir dai que deixei de ser a “princesa” que sonhava ser um dia. Porque a partir desse momento tomei a decisão (estúpida) que amaria esse rapaz (agora um homem) o resto da minha vida e, se não ficasse com ele, ficaria com alguém igual a ele.
Lembro me de ter 20 anos. E conhecer um homem igual (ou minimamente igual) ao tal ex dos 14 anos. E fui muito feliz com ele. Mas a separação repentina e a distancia levaram a um final penoso para os dois. E a partir dai foi um cair num sem fim de historias e relacionamentos falhados.
Decidi parar. E casei como homem que mais me completava. Mas ainda assim não foi possível manter me com ele mais de um ano pois, como já se sabe, estou separada dele. E agora tenho um namorado novo. Com quem estou a tentar construir a minha vida de novo. Mas desta vez quero ir devagar. (já por isso agora vivo sozinha e não vou à maluca viver ou mesmo casar com ele tão cedo). E foi ele que me disse que eu não era “eu”. Que eu podia ser mais. Podia fazer mais. Podia dar mais de mim. E não o estou a fazer por medo. Por raiva. Por estar de pé atrás com tudo e todos. Porque perdi muito. Perdi muita coisa nos últimos anos. E sei que vou continuar a perder. Mas a verdade é que sinto vontade de ganhar mais do que perco. Porque tenho perdido mais do que ganho.
Quando faço uma retrospectiva da minha vida penso:
- Tive um sem fim de relacionamentos falhados;
- Não acabei o meu curso da universidade porque nunca fui responsável a esse ponto. E ate cometi a aventura de deixar o curso e o país para vir viver para Andorra (com o meu ex marido).
- Não tenho um tipo de homem ideal. Há tempos fiz uma lista do que queria de um homem mas era tão fútil que a tive de a rasgar com a vergonha.
- Casei com um homem que idealizava ficar com ele o resto da minha vida e não funcionou.
Afinal o que quero eu? Porque se eu não souber o que quero, irei continuar com a minha vida falhada. Achava que a culpa era “deles”, mas dou conta (cada vez mais) que eu a longo do tempo fui me despegando dos relacionamentos. Cada desilusão amorosa que tinha contribuía para cada vez mais me afastar, ser mais fria, e querer tudo à minha maneira de tal maneira que, se não fosse como eu queria, eu deixava a pessoa. E tal voltou a acontecer agora no meu curto casamento. Não me dava “tudo” o que eu queria, eu não me sentia feliz e completa e tive de o deixar. Não por não amá-lo, porque sinceramente nem sei se alguma vez cheguei a amar alguém (a parte do amor inocente dos 14 anos), mas porque eu própria não me sentia bem.
Tenho lido livros e pesquisado imenso na internet sobre este tipo de coisas do auto conhecimento e afins. (Por vezes chego a pensar que devo estar maluquinha e que é uma estupidez o que estou a fazer; mas a verdade é que tem funcionado.) Tenho me questionado cada dia, tenho me recordado de coisas cada dia, tenho me controlado cada dia mais sobre os meus assuntos mais íntimos, tentando que não me afectem no meu dia-a-dia mas ao mesmo tempo pensar neles com carinho e ir perdoando (e ir me perdoando) cada um deles. E aos poucos estou me a libertar.
Ainda é cedo para dizer que “já passou” pois ainda não estou “curada”, mas agora, a minha intenção mais difícil é a meditação. Quero começar a meditar e ir ao meu mais intimo buscar o que me preocupa. Será a tarefa mais difícil da minha vida.
Lembro me da primeira e única vez que meditei. Primeiro tive um montão de comichões. Não conseguia estar quieta e tudo me assustava. Ate o silencio me assustava. Mas quando consegui concentrar me em mim mesma, vi o meu ex namorado (um deles, talvez o mais difícil de superar). Vi me com ele, numa praia, a nadarmos nus, como tínhamos feito outrora numas ferias e eu estava feliz. Era um momento tão simples e tão feliz (e que eu já nem me lembrava) que desatei a chorar. Porque durante 3 anos odiei-o tão mas tão fortemente que ao lembrar me dele num momento tão bonito, senti raiva de mim. Por que raio estava eu a pensar nele e alem do mais, estava a pensar numa coisa tão bonita. Então a minha voz interior falou. “Foram momentos lindos e muito feios que passaste com ele mas foram momentos. Não os deves esquecer muito menos odiar alguém que outrora te amou tão loucamente que te chegou a magoar por isso mesmo. Mudou te ao ponto que TU quiseste mudar! Nunca mas nunca te obrigou nada, nunca te fez mal e sempre foi o mais atencioso contigo. Sim, cometeu erros. E tu? Não cometeste mil erros com ele também? Porque não o perdoas? Porque não te perdoas a ti mesma? Não o odeies! Ama-o! Ama o que tiveram e esquece. Deixa o ir! Esquece-o! Perdoa-o!”
Fiquei sem saber o que fazer à minha vida! E foi assim que perdoei o homem que mais infeliz me fez mas que, no seu momento, gostei muito dele e tivemos momentos muito felizes.
Tenho medo de voltar a meditar. Medo do que possa ver ou sentir. Porque passei muito mal com esse momento e senti me tão mal comigo mesma, por ser má! Eu não sou má! Mas tenho momentos que me sinto a pessoa mais maldosa do mundo. E sinto me mal por isso. Porque já tive tantos namorados que gostaram de mim a sério (!!!) e eu deixei-os por caprichos, por não estar satisfeita.
Vamos ver uma coisa…quem é que está 100% satisfeito nesta vida? Ninguém! E porque hei-de eu buscar o impossível??? O que eu quero e preciso agora é encontrar o equilíbrio. O MEU equilíbrio. Preciso de saber o que EU quero para mim e o que quero ou não fazer, para poder estar com alguém estável e em equilíbrio. Discussões todos temos, problemas todos temos, defeitos…todos mas todos temos! Por que não estar com alguém e aceitar os seus defeitos?
Eu sou muito pontual. O meu namorado não é. Vou deixa-lo por isso? Claro que não! Arranjemos uma solução para os dois! Encontremos o nosso equilíbrio! Eu gosto muito de receber mimo. O meu namorado também. Porque não nos mimamos mais um ao outro? Em vez de eu estar sempre a pedir, porque não começo a dar? Eu preciso do meu tempo. Preciso de saber gerir o meu próprio tempo, as minhas tarefas. Passo a vida a fazer listas de tudo e a ver no Pinterest coisas de organização pessoal e da casa… mas eu não tenho sentido NENHUM de organização! Porque a minha própria cabeça e o meu equilíbrio interior não estão organizados! E enquanto isso não estiver no equilíbrio que deve estar, será impossível organizar o resto da minha vida!
Sendo assim, depois de toda esta palestra, tomei a decisão de começar a meditar e a pensar bem naquilo que quero. De momento uma coisa tenho clara! Gosto do meu trabalho, da minha casa nova e do meu namorado. São 3 factores que não tenciono mudar. Agora o que tenho de fazer é aprender a gerir o tempo entre estes três e saber equilibrar tudo. Porque no meu trabalho aproveito nos momentos tranquilos para escrever ou para ler um livro; em casa é o meu espaço, é onde gosto quero e preciso de estar e o namorado é com quem eu quero estar neste momento. Com quem quero partilhar a minha vida, os meus hábitos (que também já não sei quais são) e as minhas paranóias (que também já não sei quais são).
Estou em busca da minha própria identidade. Sei que posso ser muito melhor. Muito melhor mesmo! Mas tem o seu tempo. Tudo tem o seu tempo. E o meu tempo chegou agora. Está na hora.
“Olhe para o seu coração”. - Buda
Ando em terapia. Terapia pessoal. Já passaram 2 meses desde que estou numa relação nova e verdade seja dita, só agora consegui parar para pensar em tudo o que me rodeia. Sempre me disseram que “se queres conhecer bem o teu marido, divorcia-te dele” e efectivamente isso tem tido tudo a ver com o meu presente. Mas espero poder contar a minha historia em Julho, quando assinarmos os papeis. De momento estou interessada nada mais nada menos em mim e na minha nova vida. Cheguei ao ponto de questionar-me “quem sou?”. Poderão achar uma estupidez, mas a verdade é que já tive tantos relacionamentos e já passei por tanta coisa a nível sentimental que me perdi. Era sempre aquilo que os outros queriam que eu fosse e nunca era eu mesma. Ate que cheguei ao ponto que já não sei quem sou na realidade.
Ontem, numa conversa séria e pesada, disseram me que podia dar e fazer muito mais do que aquilo que dou ou faço. E é verdade. Recordo me outrora ser uma pessoa extremamente mimada, carinhosa, alegre, sempre a sorrir e sempre de bem com a vida! Recordo momentos onde me diziam que mesmo que estivesse mal, sempre estava bem e, por isso, muitas vezes me comparavam à minha mãe pois ela também é assim. Essa menina desapareceu. Escondeu se ou fugiu (ainda não consegui entender). Por isso decidi procurá-la. Sei que cresci, que me desenvolvi muito e devido ao meu passado, mudei muitas coisas em mim. Mas confesso que gostaria de recuperar pelo menos o carinhosa e alegre que eu era no passado. O objectivo agora é tentar chegar ao ponto inicial (ou final). Onde foi e em que momento mudei? Ainda não sei.
Lembro me dos meus 14 anos. Era uma menina inocente e vadia. Tudo era à minha maneira e como eu queria e ninguém me passava por cima. Hoje em dia deixo que me pisem e vou abaixo constantemente. Com 14 anos amei muito. Tive o meu primeiro amor e a minha primeira desilusão. E sei, que foi a partir dai que deixei de ser a “princesa” que sonhava ser um dia. Porque a partir desse momento tomei a decisão (estúpida) que amaria esse rapaz (agora um homem) o resto da minha vida e, se não ficasse com ele, ficaria com alguém igual a ele.
Lembro me de ter 20 anos. E conhecer um homem igual (ou minimamente igual) ao tal ex dos 14 anos. E fui muito feliz com ele. Mas a separação repentina e a distancia levaram a um final penoso para os dois. E a partir dai foi um cair num sem fim de historias e relacionamentos falhados.
Decidi parar. E casei como homem que mais me completava. Mas ainda assim não foi possível manter me com ele mais de um ano pois, como já se sabe, estou separada dele. E agora tenho um namorado novo. Com quem estou a tentar construir a minha vida de novo. Mas desta vez quero ir devagar. (já por isso agora vivo sozinha e não vou à maluca viver ou mesmo casar com ele tão cedo). E foi ele que me disse que eu não era “eu”. Que eu podia ser mais. Podia fazer mais. Podia dar mais de mim. E não o estou a fazer por medo. Por raiva. Por estar de pé atrás com tudo e todos. Porque perdi muito. Perdi muita coisa nos últimos anos. E sei que vou continuar a perder. Mas a verdade é que sinto vontade de ganhar mais do que perco. Porque tenho perdido mais do que ganho.
Quando faço uma retrospectiva da minha vida penso:
- Tive um sem fim de relacionamentos falhados;
- Não acabei o meu curso da universidade porque nunca fui responsável a esse ponto. E ate cometi a aventura de deixar o curso e o país para vir viver para Andorra (com o meu ex marido).
- Não tenho um tipo de homem ideal. Há tempos fiz uma lista do que queria de um homem mas era tão fútil que a tive de a rasgar com a vergonha.
- Casei com um homem que idealizava ficar com ele o resto da minha vida e não funcionou.
Afinal o que quero eu? Porque se eu não souber o que quero, irei continuar com a minha vida falhada. Achava que a culpa era “deles”, mas dou conta (cada vez mais) que eu a longo do tempo fui me despegando dos relacionamentos. Cada desilusão amorosa que tinha contribuía para cada vez mais me afastar, ser mais fria, e querer tudo à minha maneira de tal maneira que, se não fosse como eu queria, eu deixava a pessoa. E tal voltou a acontecer agora no meu curto casamento. Não me dava “tudo” o que eu queria, eu não me sentia feliz e completa e tive de o deixar. Não por não amá-lo, porque sinceramente nem sei se alguma vez cheguei a amar alguém (a parte do amor inocente dos 14 anos), mas porque eu própria não me sentia bem.
Tenho lido livros e pesquisado imenso na internet sobre este tipo de coisas do auto conhecimento e afins. (Por vezes chego a pensar que devo estar maluquinha e que é uma estupidez o que estou a fazer; mas a verdade é que tem funcionado.) Tenho me questionado cada dia, tenho me recordado de coisas cada dia, tenho me controlado cada dia mais sobre os meus assuntos mais íntimos, tentando que não me afectem no meu dia-a-dia mas ao mesmo tempo pensar neles com carinho e ir perdoando (e ir me perdoando) cada um deles. E aos poucos estou me a libertar.
Ainda é cedo para dizer que “já passou” pois ainda não estou “curada”, mas agora, a minha intenção mais difícil é a meditação. Quero começar a meditar e ir ao meu mais intimo buscar o que me preocupa. Será a tarefa mais difícil da minha vida.
Lembro me da primeira e única vez que meditei. Primeiro tive um montão de comichões. Não conseguia estar quieta e tudo me assustava. Ate o silencio me assustava. Mas quando consegui concentrar me em mim mesma, vi o meu ex namorado (um deles, talvez o mais difícil de superar). Vi me com ele, numa praia, a nadarmos nus, como tínhamos feito outrora numas ferias e eu estava feliz. Era um momento tão simples e tão feliz (e que eu já nem me lembrava) que desatei a chorar. Porque durante 3 anos odiei-o tão mas tão fortemente que ao lembrar me dele num momento tão bonito, senti raiva de mim. Por que raio estava eu a pensar nele e alem do mais, estava a pensar numa coisa tão bonita. Então a minha voz interior falou. “Foram momentos lindos e muito feios que passaste com ele mas foram momentos. Não os deves esquecer muito menos odiar alguém que outrora te amou tão loucamente que te chegou a magoar por isso mesmo. Mudou te ao ponto que TU quiseste mudar! Nunca mas nunca te obrigou nada, nunca te fez mal e sempre foi o mais atencioso contigo. Sim, cometeu erros. E tu? Não cometeste mil erros com ele também? Porque não o perdoas? Porque não te perdoas a ti mesma? Não o odeies! Ama-o! Ama o que tiveram e esquece. Deixa o ir! Esquece-o! Perdoa-o!”
Fiquei sem saber o que fazer à minha vida! E foi assim que perdoei o homem que mais infeliz me fez mas que, no seu momento, gostei muito dele e tivemos momentos muito felizes.
Tenho medo de voltar a meditar. Medo do que possa ver ou sentir. Porque passei muito mal com esse momento e senti me tão mal comigo mesma, por ser má! Eu não sou má! Mas tenho momentos que me sinto a pessoa mais maldosa do mundo. E sinto me mal por isso. Porque já tive tantos namorados que gostaram de mim a sério (!!!) e eu deixei-os por caprichos, por não estar satisfeita.
Vamos ver uma coisa…quem é que está 100% satisfeito nesta vida? Ninguém! E porque hei-de eu buscar o impossível??? O que eu quero e preciso agora é encontrar o equilíbrio. O MEU equilíbrio. Preciso de saber o que EU quero para mim e o que quero ou não fazer, para poder estar com alguém estável e em equilíbrio. Discussões todos temos, problemas todos temos, defeitos…todos mas todos temos! Por que não estar com alguém e aceitar os seus defeitos?
Eu sou muito pontual. O meu namorado não é. Vou deixa-lo por isso? Claro que não! Arranjemos uma solução para os dois! Encontremos o nosso equilíbrio! Eu gosto muito de receber mimo. O meu namorado também. Porque não nos mimamos mais um ao outro? Em vez de eu estar sempre a pedir, porque não começo a dar? Eu preciso do meu tempo. Preciso de saber gerir o meu próprio tempo, as minhas tarefas. Passo a vida a fazer listas de tudo e a ver no Pinterest coisas de organização pessoal e da casa… mas eu não tenho sentido NENHUM de organização! Porque a minha própria cabeça e o meu equilíbrio interior não estão organizados! E enquanto isso não estiver no equilíbrio que deve estar, será impossível organizar o resto da minha vida!
Sendo assim, depois de toda esta palestra, tomei a decisão de começar a meditar e a pensar bem naquilo que quero. De momento uma coisa tenho clara! Gosto do meu trabalho, da minha casa nova e do meu namorado. São 3 factores que não tenciono mudar. Agora o que tenho de fazer é aprender a gerir o tempo entre estes três e saber equilibrar tudo. Porque no meu trabalho aproveito nos momentos tranquilos para escrever ou para ler um livro; em casa é o meu espaço, é onde gosto quero e preciso de estar e o namorado é com quem eu quero estar neste momento. Com quem quero partilhar a minha vida, os meus hábitos (que também já não sei quais são) e as minhas paranóias (que também já não sei quais são).
Estou em busca da minha própria identidade. Sei que posso ser muito melhor. Muito melhor mesmo! Mas tem o seu tempo. Tudo tem o seu tempo. E o meu tempo chegou agora. Está na hora.
“Olhe para o seu coração”. - Buda
"Olhe para o seu coração"
"Esta é uma das mais belas declarações: 'Olhe para o seu coração. Siga a sua natureza'.
Buda não está dizendo, siga as escrituras. Ele não está dizendo, siga-me. Ele não está dizendo, siga certas regras de conduta. Ele não está ensinando a você qualquer moralidade. Ele não está tentando criar um certo caráter em você, porque todo caráter é uma bela cela de uma prisão. Ele não está dando a você um certo caminho para viver. Ao invés disso, ele está lhe dando coragem para seguir a sua própria natureza. Ele quer que você seja corajoso o bastante para ouvir o seu próprio coração e seguir, de acordo com ele.
'Siga a sua natureza' quer dizer: flua com você mesmo. Você é a escritura... e escondido lá no fundo de você ainda está uma pequena voz. Se você se tornar silencioso, você será guiado por ela.
O Mestre tem apenas que tornar você consciente de seu Mestre interior. Aí a sua função estará completa. Aí ele poderá deixar você consigo mesmo, ele poderá mandar você de volta para você mesmo. A proposta de um Mestre não é escravizar um discípulo, a proposta de um Mestre é libertá-lo, é lhe dar total liberdade. E essa é a única possibilidade de se atingir a liberdade total: 'Siga a sua natureza'.
Por 'natureza', Buda quer dizer Dhamma. Assim como é da natureza da água fluir para baixo e é da natureza do fogo se expandir para o alto, assim existe uma certa natureza escondida dentro de você. Se todos os condicionamentos que foram impostos a você pela sociedade forem removidos, de repente você irá descobrir a sua natureza.
A sua natureza é tornar-se Deus. Ais Dhammo sanantano - essa é a lei eterna e inesgotável: sua natureza é tornar-se Deus.
O homem é um Deus em potencial, um bodhisattva. O significado do homem é tornar-se Deus. Menos do que isso não irá satisfazer você, menos do que isso não terá utilidade. Você pode ter todo o dinheiro do mundo, todo o poder, todo o prestígio possível, e ainda assim você permanecerá vazio.A não ser que a sua natureza divina floresça, abra os seus botões, a não ser que você se torne um lótus, mil pétalas de lótus, a não ser que a sua divindade seja revelada a você, você nunca estará satisfeito.Ao homem religioso comum é dito para que permaneça satisfeito e contente, em qualquer que seja a situação. Os chamados santos religiosos seguem ensinando às pessoas: 'fique satisfeito'. A satisfação é um de seus ensinamentos fundamentais. Esse não é o caminho dos verdadeiros Mestres.
O Mestre verdadeiro cria o descontentamento em você, um tal descontentamento que nada neste mundo poderá satisfazê-lo. Ele cria um tal anseio em você, que a não ser que você alcance o máximo, você irá permanecer sem fogo, sem chama. Ele cria dor em seu coração, ele cria angústia...porque a vida está escorregando a todo momento, e cada momento que se foi, se foi para sempre, e você ainda não alcançou Deus e mais um dia já se passou.
Ele cria um tal anseio profundo em você, uma tal dor em seu coração! Ele cria lágrimas em seus olhos, porque somente através desse divino descontentamento, você irá se mover, você dará o salto quântico, o salto maior em direção ao desconhecido. Somente através desse divino descontentamento é que você reunirá todas as suas energias e se arriscará, indo até a aventura maior que é descobrir quem você é.
Siga a sua própria natureza. A sua natureza é a consciência. Mas os padres disseram a você: siga certas regras de conduta, os Dez Mandamentos, siga certos princípios, não a sua natureza. Os padres têm muito medo da sua natureza, porque se você seguir a sua natureza você irá sair de seu controle, você não será mais um escravo. Você não irá mais às igrejas, aos templos e aos mosteiros, e você não irá mais ouvir seus estúpidos padres, políticos, os chamados líderes. Eu digo que eles são os 'chamados líderes' porque o que na verdade está acontecendo é que pessoas cegas estão guiando pessoas cegas.
Se você ouvir à sua própria natureza, você não irá ouvi-los mais. Se você conhecer a sua própria voz interior, você se tornará livre. Então, a sua voz interior tem que ser esmagada, destruída, completamente destruída, ou pelo menos distorcida de tal maneira que mesmo se você ouvi-la, você não poderá entendê-la. E eles têm sido bem sucedidos. A não ser que você lute arduamente contra eles, não haverá possibilidade de sucesso. A exploração deles é tão velha, a opressão deles é tão antiga, as estratégias deles são tão espertas... e eles têm um poder infinito em suas mãos. E quem é você individualmente contra eles?
Mas se você for para dentro, se você ouvir o seu coração, você irá alcançar um tal poder que nenhum poder na Terra poderá escravizá-lo de novo.
Siga a sua natureza. Mas como seguir a sua natureza, se você não sabe o que ela é? E não lhe é permitido saber o que ela é! Você recebeu instruções precisas sobre o que fazer: o que comer, quando levantar-se de manhã, quando ir para a cama...Você recebeu instruções precisas. Aquelas instruções, se seguidas, fazem de você um escravo. Se não seguidas, fazem de você um criminoso. Se seguidas, você se torna um santo, mas um escravo. As pessoas irão adorá-lo, respeitá-lo, mas todo esse respeito é um entendimento mútuo: 'Se você seguir as nossas instruções, nós respeitaremos você. Se você não seguir, você irá para a prisão.'
Ou você se tornará espiritualmente um escravo ou fisicamente um prisioneiro: essas são as duas alternativas que a sociedade dá a você. E isso nunca permite a você se tornar consciente de que existe dentro de você uma fonte de infinita orientação e direcionamento. E é de lá que Deus fala.
Deus ainda fala, ele não parou de falar. Ele não é parcial. Não é que ele tenha falado a Maomé e a Moisés e que ele não fala a você. Ele está falando a você tanto quanto ele falou para Maomé. A única diferença é que Maomé estava pronto para ouvi-lo e você não está pronto para ouvi-lo. Maomé estava disponível e você não está disponível.
Tornar-se disponível à sua própria natureza interior é o que eu chamo de meditação.
Lembre-se dessas duas palavras. O caráter é uma invenção dos políticos e dos padres, é uma conspiração contra você. A consciência é a sua natureza. Sim, o homem de consciência tem um certo caráter, mas esse caráter segue a sua natureza. Não lhe foi imposto por alguém, esse caráter é a sua própria decisão. E ele não está preso a esse caráter, ele está totalmente livre para mudá-lo a qualquer momento. As circunstâncias mudam, a sua consciência lhe dá diferentes direções e ele muda o seu caráter.
O homem de caráter, o 'chamado homem de caráter', está preso. Mesmo se as circunstâncias mudarem ele segue repetindo o mesmo caráter, mesmo que não seja mais relevante, mesmo que não seja mais adequado. O contexto no qual ele tinha um significado desapareceu, mas ele segue repetindo as mesmas tolices. Ele é como um papagaio. Ele é uma máquina: ele não responde, ele simplesmente reage.
Um homem de consciência responde e suas respostas são espontâneas. Ele é como um espelho. Ele reflete tudo aquilo que se confronta com ele. E a partir dessa espontaneidade, a partir dessa consciência, um novo tipo de ação surge. Essa ação nunca cria qualquer escravidão, qualquer carma. Essa ação liberta você. Você alcança a liberdade se você ouvir a sua natureza.
Mas esse simples conselho parece ser muito difícil para as pessoas. Ele deveria ser a coisa mais simples do mundo. Cada criança nasce seguindo sua natureza, mas na medida em que você cresce, pouco a pouco você vai perdendo o contato com ela. Você é forçado a perder o contato com ela. O contato pode ser recuperado, ele pode ser redescoberto. Anos mais tarde, quando você tiver se tornado uma pessoa culta, preso dentro de um certo caráter, completamente cego para com seu coração e sua natureza, você começa a formular muitas perguntas.
Outro dia, o Prem Vijen perguntou: 'Osho, o que você quer dizer quando você diz Vá para dentro?'
Uma declaração tão simples, 'Vá para dentro', e você me pergunta 'o que eu quero dizer com ela?' Você não consegue entender estas simples palavras, 'vá para dentro'? Eu sei que você conhece as palavras, mas ir para dentro tornou-se muito difícil porque você só aprendeu como ir para fora. Você só pode ir para fora, você só sabe como ir, se for para fora.A sua consciência está voltada para os outros, ela esqueceu o caminho para ela mesma. Você segue batendo na porta dos outros e sempre que é dito a você, 'vá para casa' você diz: ' Osho, o que você quer dizer com ir para casa?' Você só conhece as casas dos outros, você não conhece o seu próprio lar. E você está carregando esse lar dentro de você. Você foi forçado a ser extrovertido. Você tem que aprender de novo o caminho de ir para dentro.
Soren Kierkegaard disse: 'Religião significa ir para dentro', ir para a sua própria interioridade. Mas as simples palavras 'ir para dentro' tornaram-se tão difíceis de entender. A mente conhece apenas como ir para fora, e nela não há qualquer marcha a ré....
Eu estou ensinando a você aqui que a marcha a ré está aí, embutida, você apenas se esqueceu dela. Você sabe como ir para fora. Ninguém pergunta 'O que você quer dizer quando diz 'vá para fora'?'. Mas todo mundo quer perguntar 'O que você quer dizer quando diz 'vá para dentro'?'. Simples palavras!
Pensar é ir para fora e não pensar é ir para dentro. Pense e você já começou a se mover para fora de si mesmo. O pensamento é a maneira de levar você para longe. O pensamento é um projeto. Não-pensamento... e de repente você está dentro. Sem pensamento você não pode ir para fora, sem desejo você não pode ir para fora. Você precisa do combustível do desejo e do veículo do pensamento para ir para fora.
Sentando-se silenciosamente, nada fazendo... nem mesmo pensando, nem mesmo desejando... e onde você estará?
Ir para dentro não é verdadeiramente ir para dentro. É simplesmente parar de ir para fora... e de repente você encontra a si mesmo dentro.
Prem Vijen, você não precisa ir para dentro porque se você for, você irá sempre para fora. Ir significa ir para fora. Pare de ir! Pare de ir a qualquer lugar! Você consegue sentar-se silenciosamente sem ir a qualquer lugar? Sim, fisicamente você pode sentar-se, isso não é muito difícil. Você pode aprender uma postura de yoga e você pode fazer de seu corpo quase uma estátua, mas o problema é: o que você está fazendo do lado de dentro? Desejos, pensamentos, memórias, imaginação, todos os tipos de projetos? Pare com eles também.
Como parar com eles? Simplesmente torne-se indiferente a eles, despreocupado. Mesmo que eles estejam ali, não dê atenção a eles. Mesmo que eles estejam ali, não lhes dê qualquer importância. Mesmo que eles estejam ali, deixe-os estar. Sente-se silenciosamente do lado de dentro, observando. Lembre-se dessa palavra: observando, testemunhando, simplesmente estando alerta.
E na medida em que esse observar cresce, se torna mais profundo, a mesma energia que estava se tornando desejos, pensamentos, memórias e imaginação, essa mesma energia é absorvida em nova profundidade. A mesma energia é usada por esse aprofundamento interno. E você saberá o que quero dizer quando digo 'Vá para dentro'.
Não comece a procurar nos dicionários ou na Enciclopédia Britânica. Não é uma questão de palavras. Palavras são simples para compreender. Quando eu digo 'Vá para dentro', é isso exatamente o que eu quero dizer: vá para dentro! Não comece a perguntar sobre as palavras. Escute a mensagem oculta, senão você irá perder o trem. O que eu quero dizer com 'perder o trem'?.........
Se você se tornar muito interessado em palavras, 'O que quer dizer com ir para dentro? O que isso quer dizer...?' Verbalmente, lingüisticamente, Vijen, você vai perder o trem. Não desperdice tempo com palavras!
E essa é particularmente uma nova espécie de doença que tem atingido os intelectuais do mundo. Pelo menos por cinqüenta anos, o mundo filosófico tem se tornado muitíssimo interessado em palavras e análises lingüísticas. Eles não perguntam mais o que é Deus. Eles não perguntam mais se Deus existe ou não. Os filósofos contemporâneos perguntam, 'O que quer dizer quando você usa a palavra Deus?' A questão não é se Deus existe ou não. A questão não é o que é Deus. A questão não é como se alcança Deus. Agora a questão tomou uma nova direção: 'O que você quer dizer quando você usa a palavra Deus?' O que você quer dizer quando você usa a palavra rosa? Essa questão é mais fácil. Você pode pegar o filósofo, forçá-lo a ir até o jardim e mostrar a ele a rosa. 'Isso é o que eu quero dizer quando eu uso a palavra rosa'. Mas isso não pode ser feito com a palavra Deus, isso não pode ser feito com a palavra meditação, isso não pode ser feito com as palavras 'vá para dentro'. Estes são fenômenos sutis. Não se torne um interessado em lingüística. Eu não estou aqui para ensinar análise lingüística a você.
Toda a minha abordagem é existencial. Se você realmente quer saber o que significa ir para dentro, então vá para dentro! E o caminho é: observe os seus pensamentos e não se identifique com eles. Simplesmente permaneça um observador, completamente indiferente, nem contra nem a favor. Não julgue, porque qualquer julgamento traz identificação. Não diga, 'Estes pensamentos são errados' e não diga, 'Estes pensamentos são bons'. Não faça comentários sobre os pensamentos. Deixe que eles passem como se eles fossem apenas a passagem do tráfego e você está de pé ali ao lado da rodovia despreocupado, olhando o tráfego. Não interessa o que está passando, um ônibus, um caminhão ou uma bicicleta. Se você puder observar o processo de pensamentos de sua mente com tal despreocupação, com tal desapego, não estará longe o dia em que todo o tráfego desaparece... porque o tráfego somente pode existir se você seguir dando energia para ele. Se você parar de dar energia para ele... E isso é o observar: parar de dar energia para isso, parar a energia que se move dentro do tráfego. É a sua energia que faz aqueles pensamentos se moverem. Quando a sua energia não os está alimentando, eles começam a cair, eles não conseguem se manter em pé por si mesmos.
E quando a rodovia da mente estiver completamente vazia, você está dentro. Isso é o que eu quero dizer, Vijen, quando eu digo 'Vá para dentro'. E isso é o que Buda quer dizer quando ele diz: 'Siga a sua natureza'."
OSHO - The Book of the Books - Volume I - Discourse n. 3
Palestras sobre O Dhammapada, de Gautama, o Buda
Tradução: Sw.Bodhi Champak
Buda não está dizendo, siga as escrituras. Ele não está dizendo, siga-me. Ele não está dizendo, siga certas regras de conduta. Ele não está ensinando a você qualquer moralidade. Ele não está tentando criar um certo caráter em você, porque todo caráter é uma bela cela de uma prisão. Ele não está dando a você um certo caminho para viver. Ao invés disso, ele está lhe dando coragem para seguir a sua própria natureza. Ele quer que você seja corajoso o bastante para ouvir o seu próprio coração e seguir, de acordo com ele.
'Siga a sua natureza' quer dizer: flua com você mesmo. Você é a escritura... e escondido lá no fundo de você ainda está uma pequena voz. Se você se tornar silencioso, você será guiado por ela.
O Mestre tem apenas que tornar você consciente de seu Mestre interior. Aí a sua função estará completa. Aí ele poderá deixar você consigo mesmo, ele poderá mandar você de volta para você mesmo. A proposta de um Mestre não é escravizar um discípulo, a proposta de um Mestre é libertá-lo, é lhe dar total liberdade. E essa é a única possibilidade de se atingir a liberdade total: 'Siga a sua natureza'.
Por 'natureza', Buda quer dizer Dhamma. Assim como é da natureza da água fluir para baixo e é da natureza do fogo se expandir para o alto, assim existe uma certa natureza escondida dentro de você. Se todos os condicionamentos que foram impostos a você pela sociedade forem removidos, de repente você irá descobrir a sua natureza.
A sua natureza é tornar-se Deus. Ais Dhammo sanantano - essa é a lei eterna e inesgotável: sua natureza é tornar-se Deus.
O homem é um Deus em potencial, um bodhisattva. O significado do homem é tornar-se Deus. Menos do que isso não irá satisfazer você, menos do que isso não terá utilidade. Você pode ter todo o dinheiro do mundo, todo o poder, todo o prestígio possível, e ainda assim você permanecerá vazio.A não ser que a sua natureza divina floresça, abra os seus botões, a não ser que você se torne um lótus, mil pétalas de lótus, a não ser que a sua divindade seja revelada a você, você nunca estará satisfeito.Ao homem religioso comum é dito para que permaneça satisfeito e contente, em qualquer que seja a situação. Os chamados santos religiosos seguem ensinando às pessoas: 'fique satisfeito'. A satisfação é um de seus ensinamentos fundamentais. Esse não é o caminho dos verdadeiros Mestres.
O Mestre verdadeiro cria o descontentamento em você, um tal descontentamento que nada neste mundo poderá satisfazê-lo. Ele cria um tal anseio em você, que a não ser que você alcance o máximo, você irá permanecer sem fogo, sem chama. Ele cria dor em seu coração, ele cria angústia...porque a vida está escorregando a todo momento, e cada momento que se foi, se foi para sempre, e você ainda não alcançou Deus e mais um dia já se passou.
Ele cria um tal anseio profundo em você, uma tal dor em seu coração! Ele cria lágrimas em seus olhos, porque somente através desse divino descontentamento, você irá se mover, você dará o salto quântico, o salto maior em direção ao desconhecido. Somente através desse divino descontentamento é que você reunirá todas as suas energias e se arriscará, indo até a aventura maior que é descobrir quem você é.
Siga a sua própria natureza. A sua natureza é a consciência. Mas os padres disseram a você: siga certas regras de conduta, os Dez Mandamentos, siga certos princípios, não a sua natureza. Os padres têm muito medo da sua natureza, porque se você seguir a sua natureza você irá sair de seu controle, você não será mais um escravo. Você não irá mais às igrejas, aos templos e aos mosteiros, e você não irá mais ouvir seus estúpidos padres, políticos, os chamados líderes. Eu digo que eles são os 'chamados líderes' porque o que na verdade está acontecendo é que pessoas cegas estão guiando pessoas cegas.
Se você ouvir à sua própria natureza, você não irá ouvi-los mais. Se você conhecer a sua própria voz interior, você se tornará livre. Então, a sua voz interior tem que ser esmagada, destruída, completamente destruída, ou pelo menos distorcida de tal maneira que mesmo se você ouvi-la, você não poderá entendê-la. E eles têm sido bem sucedidos. A não ser que você lute arduamente contra eles, não haverá possibilidade de sucesso. A exploração deles é tão velha, a opressão deles é tão antiga, as estratégias deles são tão espertas... e eles têm um poder infinito em suas mãos. E quem é você individualmente contra eles?
Mas se você for para dentro, se você ouvir o seu coração, você irá alcançar um tal poder que nenhum poder na Terra poderá escravizá-lo de novo.
Siga a sua natureza. Mas como seguir a sua natureza, se você não sabe o que ela é? E não lhe é permitido saber o que ela é! Você recebeu instruções precisas sobre o que fazer: o que comer, quando levantar-se de manhã, quando ir para a cama...Você recebeu instruções precisas. Aquelas instruções, se seguidas, fazem de você um escravo. Se não seguidas, fazem de você um criminoso. Se seguidas, você se torna um santo, mas um escravo. As pessoas irão adorá-lo, respeitá-lo, mas todo esse respeito é um entendimento mútuo: 'Se você seguir as nossas instruções, nós respeitaremos você. Se você não seguir, você irá para a prisão.'
Ou você se tornará espiritualmente um escravo ou fisicamente um prisioneiro: essas são as duas alternativas que a sociedade dá a você. E isso nunca permite a você se tornar consciente de que existe dentro de você uma fonte de infinita orientação e direcionamento. E é de lá que Deus fala.
Deus ainda fala, ele não parou de falar. Ele não é parcial. Não é que ele tenha falado a Maomé e a Moisés e que ele não fala a você. Ele está falando a você tanto quanto ele falou para Maomé. A única diferença é que Maomé estava pronto para ouvi-lo e você não está pronto para ouvi-lo. Maomé estava disponível e você não está disponível.
Tornar-se disponível à sua própria natureza interior é o que eu chamo de meditação.
Lembre-se dessas duas palavras. O caráter é uma invenção dos políticos e dos padres, é uma conspiração contra você. A consciência é a sua natureza. Sim, o homem de consciência tem um certo caráter, mas esse caráter segue a sua natureza. Não lhe foi imposto por alguém, esse caráter é a sua própria decisão. E ele não está preso a esse caráter, ele está totalmente livre para mudá-lo a qualquer momento. As circunstâncias mudam, a sua consciência lhe dá diferentes direções e ele muda o seu caráter.
O homem de caráter, o 'chamado homem de caráter', está preso. Mesmo se as circunstâncias mudarem ele segue repetindo o mesmo caráter, mesmo que não seja mais relevante, mesmo que não seja mais adequado. O contexto no qual ele tinha um significado desapareceu, mas ele segue repetindo as mesmas tolices. Ele é como um papagaio. Ele é uma máquina: ele não responde, ele simplesmente reage.
Um homem de consciência responde e suas respostas são espontâneas. Ele é como um espelho. Ele reflete tudo aquilo que se confronta com ele. E a partir dessa espontaneidade, a partir dessa consciência, um novo tipo de ação surge. Essa ação nunca cria qualquer escravidão, qualquer carma. Essa ação liberta você. Você alcança a liberdade se você ouvir a sua natureza.
Mas esse simples conselho parece ser muito difícil para as pessoas. Ele deveria ser a coisa mais simples do mundo. Cada criança nasce seguindo sua natureza, mas na medida em que você cresce, pouco a pouco você vai perdendo o contato com ela. Você é forçado a perder o contato com ela. O contato pode ser recuperado, ele pode ser redescoberto. Anos mais tarde, quando você tiver se tornado uma pessoa culta, preso dentro de um certo caráter, completamente cego para com seu coração e sua natureza, você começa a formular muitas perguntas.
Outro dia, o Prem Vijen perguntou: 'Osho, o que você quer dizer quando você diz Vá para dentro?'
Uma declaração tão simples, 'Vá para dentro', e você me pergunta 'o que eu quero dizer com ela?' Você não consegue entender estas simples palavras, 'vá para dentro'? Eu sei que você conhece as palavras, mas ir para dentro tornou-se muito difícil porque você só aprendeu como ir para fora. Você só pode ir para fora, você só sabe como ir, se for para fora.A sua consciência está voltada para os outros, ela esqueceu o caminho para ela mesma. Você segue batendo na porta dos outros e sempre que é dito a você, 'vá para casa' você diz: ' Osho, o que você quer dizer com ir para casa?' Você só conhece as casas dos outros, você não conhece o seu próprio lar. E você está carregando esse lar dentro de você. Você foi forçado a ser extrovertido. Você tem que aprender de novo o caminho de ir para dentro.
Soren Kierkegaard disse: 'Religião significa ir para dentro', ir para a sua própria interioridade. Mas as simples palavras 'ir para dentro' tornaram-se tão difíceis de entender. A mente conhece apenas como ir para fora, e nela não há qualquer marcha a ré....
Eu estou ensinando a você aqui que a marcha a ré está aí, embutida, você apenas se esqueceu dela. Você sabe como ir para fora. Ninguém pergunta 'O que você quer dizer quando diz 'vá para fora'?'. Mas todo mundo quer perguntar 'O que você quer dizer quando diz 'vá para dentro'?'. Simples palavras!
Pensar é ir para fora e não pensar é ir para dentro. Pense e você já começou a se mover para fora de si mesmo. O pensamento é a maneira de levar você para longe. O pensamento é um projeto. Não-pensamento... e de repente você está dentro. Sem pensamento você não pode ir para fora, sem desejo você não pode ir para fora. Você precisa do combustível do desejo e do veículo do pensamento para ir para fora.
Sentando-se silenciosamente, nada fazendo... nem mesmo pensando, nem mesmo desejando... e onde você estará?
Ir para dentro não é verdadeiramente ir para dentro. É simplesmente parar de ir para fora... e de repente você encontra a si mesmo dentro.
Prem Vijen, você não precisa ir para dentro porque se você for, você irá sempre para fora. Ir significa ir para fora. Pare de ir! Pare de ir a qualquer lugar! Você consegue sentar-se silenciosamente sem ir a qualquer lugar? Sim, fisicamente você pode sentar-se, isso não é muito difícil. Você pode aprender uma postura de yoga e você pode fazer de seu corpo quase uma estátua, mas o problema é: o que você está fazendo do lado de dentro? Desejos, pensamentos, memórias, imaginação, todos os tipos de projetos? Pare com eles também.
Como parar com eles? Simplesmente torne-se indiferente a eles, despreocupado. Mesmo que eles estejam ali, não dê atenção a eles. Mesmo que eles estejam ali, não lhes dê qualquer importância. Mesmo que eles estejam ali, deixe-os estar. Sente-se silenciosamente do lado de dentro, observando. Lembre-se dessa palavra: observando, testemunhando, simplesmente estando alerta.
E na medida em que esse observar cresce, se torna mais profundo, a mesma energia que estava se tornando desejos, pensamentos, memórias e imaginação, essa mesma energia é absorvida em nova profundidade. A mesma energia é usada por esse aprofundamento interno. E você saberá o que quero dizer quando digo 'Vá para dentro'.
Não comece a procurar nos dicionários ou na Enciclopédia Britânica. Não é uma questão de palavras. Palavras são simples para compreender. Quando eu digo 'Vá para dentro', é isso exatamente o que eu quero dizer: vá para dentro! Não comece a perguntar sobre as palavras. Escute a mensagem oculta, senão você irá perder o trem. O que eu quero dizer com 'perder o trem'?.........
Se você se tornar muito interessado em palavras, 'O que quer dizer com ir para dentro? O que isso quer dizer...?' Verbalmente, lingüisticamente, Vijen, você vai perder o trem. Não desperdice tempo com palavras!
E essa é particularmente uma nova espécie de doença que tem atingido os intelectuais do mundo. Pelo menos por cinqüenta anos, o mundo filosófico tem se tornado muitíssimo interessado em palavras e análises lingüísticas. Eles não perguntam mais o que é Deus. Eles não perguntam mais se Deus existe ou não. Os filósofos contemporâneos perguntam, 'O que quer dizer quando você usa a palavra Deus?' A questão não é se Deus existe ou não. A questão não é o que é Deus. A questão não é como se alcança Deus. Agora a questão tomou uma nova direção: 'O que você quer dizer quando você usa a palavra Deus?' O que você quer dizer quando você usa a palavra rosa? Essa questão é mais fácil. Você pode pegar o filósofo, forçá-lo a ir até o jardim e mostrar a ele a rosa. 'Isso é o que eu quero dizer quando eu uso a palavra rosa'. Mas isso não pode ser feito com a palavra Deus, isso não pode ser feito com a palavra meditação, isso não pode ser feito com as palavras 'vá para dentro'. Estes são fenômenos sutis. Não se torne um interessado em lingüística. Eu não estou aqui para ensinar análise lingüística a você.
Toda a minha abordagem é existencial. Se você realmente quer saber o que significa ir para dentro, então vá para dentro! E o caminho é: observe os seus pensamentos e não se identifique com eles. Simplesmente permaneça um observador, completamente indiferente, nem contra nem a favor. Não julgue, porque qualquer julgamento traz identificação. Não diga, 'Estes pensamentos são errados' e não diga, 'Estes pensamentos são bons'. Não faça comentários sobre os pensamentos. Deixe que eles passem como se eles fossem apenas a passagem do tráfego e você está de pé ali ao lado da rodovia despreocupado, olhando o tráfego. Não interessa o que está passando, um ônibus, um caminhão ou uma bicicleta. Se você puder observar o processo de pensamentos de sua mente com tal despreocupação, com tal desapego, não estará longe o dia em que todo o tráfego desaparece... porque o tráfego somente pode existir se você seguir dando energia para ele. Se você parar de dar energia para ele... E isso é o observar: parar de dar energia para isso, parar a energia que se move dentro do tráfego. É a sua energia que faz aqueles pensamentos se moverem. Quando a sua energia não os está alimentando, eles começam a cair, eles não conseguem se manter em pé por si mesmos.
E quando a rodovia da mente estiver completamente vazia, você está dentro. Isso é o que eu quero dizer, Vijen, quando eu digo 'Vá para dentro'. E isso é o que Buda quer dizer quando ele diz: 'Siga a sua natureza'."
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