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(Re)Aparecer....

Eu sei que tenho andado longe, distante, desaparecida. Mas na verdade há mais de um mês que não vinha aqui e já estava a morrer de saudades de ter um tempinho para escrever.
Aqui não há tempo, não há espaço, não há nada. Vives um dia de cada vez e quando dás por ela passa tudo tão rápido que já estás nos ultimos dias do ano.

Casei faz hoje um mês. O meu ultimo post foi a 26 de Novembro. A 27 fui a Portugal e a 29 de Novembro casei pelo civil. Entretanto estive (e ainda estou) a habituar me a esta nova vida. Não tem sido fácil. Aliás, tem sido muito dificil. Tenho passado por tudo, coisas boas e coisas más. Custou me imenso arranjar emprego. Sem papéis aqui não trabalhas. Não és ninguém (só se fores turista). Com tanto desemprego, quem tem vontade de trabalhar é inutil. Sendo assim, após casar, tornar me uma cidadã andorrana/emigrante, consegui um emprego.
Estou a tentar aguentar o stress que é trabalhar na época natalícia em Andorra. Apesar da crise, há muito trabalho, muita confusão e muito mas muito stress. Nem sei como aguento...
Durante as horas de trabalho tenho o meu coração a mil à hora e sem tomar calmantes posso ter um enfarte... e lamentavelmente não estou a brincar com isto... A muito custo vou me aguentando. Com 15 dias de trabalho já me habituei à lingua, às pessoas, aos clientes bons e maus, à (des)organização no local de trabalho e a acordar cedo.

Dizem que são os momentos mais dificeis que fortalecem uma relação. Eu confirmo. Porque estou a cada dia com mais certezas que nunca. Fiz a escolha certa ao casar com este homem que dorme comigo todas as noites. Porque sem ele, eu não conseguia aguentar estar aqui. Com o stress diário, a falta de dinheiro, a necessidade de mandar pessoas à merda e não poder fazê-lo. E então, quando estou com ele, a calma volta. Tudo volta a ser cor-de-rosa.
Ultimamente tenho andado com crises... Crise de auto-estima, crise de ciumes ridículos e desnecessários e crise de não-sou-boa-esposa. Mas, na realidade, estou a ser aquilo que todas as mulheres normais são. Tenho ciumes, ajudo em casa, trabalho como ele, fazemos planos para o futuro... isto é ser normal. E eu nunca fui assim.

Sempre fui do tipo de mulher que estava hoje bem e amanhã já queria mudar alguma coisa. Nunca tinha tido ciumes só por ver um namorado/marido com uma amiga, ou por saber que outra mulher tinha tentado alguma coisa com ele. Nunca me tinha passado pela cabeça ficar em casa só porque ele não quer sair. Mesmo que ele não saisse, saía eu. (agora não saio sem ele) Nunca me tinha deitado às 11.30h só para poder estar mais uns momentos na cama aos mimos antes de dormir... Eu nunca fui assim. Eu nunca tinha amado ninguém. Esta é a realidade dos factos. Porque quando se ama, dói. E eu nunca tinha acreditado nesta frase.

E, por incrivel que pareça, eu não estava habituada a isto. Não estava habituada à rotina de uma vida a dois. A trabalhar, chegar a casa e ter um abraço forte, a dormir e pensar "amanhã é mais um dia...com ele". Não estava habituada a querer estar com uma pessoa "para sempre". Sempre pensei "um dia irá acabar" e neste momento, não penso assim. Agora faço planos. Planos para o futuro. Cão e/ou gato? Menino ou menina? Um filho ou dois? Coisas que se falam quando somos jovens mas que não têm sentido porque "ainda é cedo". Agora estou casada. Agora já não é cedo. Agora é a hora. É o momento que realmente falas do assunto e contas os anos ou os meses para isso acontecer... Primeiro um cão (ou um gato), e depois daqui a 3 ou 4 anos um filho, para podermos ter um segundo... são conversas reais. Não são conversas utópicas do tipo "e se"...

Estou a tentar. Estou a lutar por ser melhor. Mesmo quando o passado nos ataca, eu gosto de pensar "já não sou aquilo que já fui". E tenho orgulho em assumir isso! Tenho orgulho em amar este homem, em confiar nele a 100%, mesmo com medos incluidos.

Não estou habituada a isto. A gerir tempos. Espaços. Ciumes. Relacionamentos. Não estou habituada a ter uma amiga. Não estou habituada a que essa mesma amiga seja a melhor amiga do meu marido. Sempre foi o contrário. Eu é que tinha amigos e eles é que aguentavam e aceitavam... Não estou habituada a estar casada.
Mas mesmo assim, quero habituar-me. Quero aprender a lidar com isto tudo porque é mesmo bom! É tão bom sentir me amada. Quero poder conhecer mais gente para não me sentir tão sozinha. Aos poucos vou fazendo boas amizades.

...

Mas quando vou abaixo... o mundo cai-me em cima. Choro a toda a hora. Custa me ultrapassar certos medos. Custa me tanto aguentar. Tenho crises de panico. Graves. Sensações que vou morrer. Porque é tudo tão bom e tão mágico que eu às vezes penso que não mereço isto. Eu nunca estive tão bem... e por isso não sei lidar com a felicidade. Não sei estar bem todos os dias. E crio filmes na minha cabeça só para poder ficar mal... e é horrivel. Mas toda a minha vida foi assim. Sempre que estava bem esperava pelo dia que tudo corresse mal. E aqui...por muito que pareça dificil o dia, estou sempre bem. Porque tenho alguém que me ama de verdade e eu amo também. Porque chego a casa e tudo acalma. Tudo passa. E eu não estava habituada a isso. Não estou habituada a ser feliz. A sentir me completa. E a fazer aquilo que quero e gosto. E é tão bom!...

Cair na real

Esta semana tem sido das mais difíceis. sem dúvida. Casar não é, de todo, uma coisa fácil. E quem diz que é, mente.

Os momentos antes do dia C. são os mais importantes e fortes na vida de uma pessoa. 

São os momentos em que pensas em tudo o que já fizeste enquanto pessoa solteira. 
São os momentos que olhas para trás e vês aquilo que já foste, já fizeste e mesmo assim, tens um homem que te ama no matter what. Eu não tenho um passado de orgulho. Não tenho mesmo. Já traí, já fui traída, já me magoaram muito, já magoei mais ainda, já tive muitos encontros casuais dos quais 80% me arrependo. Mas, ao mesmo tempo, posso dizer que mudei. Mudei muito. E, agora que olho para a frente, posso dizer que fiz tudo e mais alguma coisa que uma menina-mulher solteira poderia fazer antes de decidir casar.

Há uns anos atrás, na escola secundária, tínhamos, na nossa turma, uma freira. Eu, que nunca tive papas na língua, perguntei-lhe como soube que era aquilo que queria fazer da vida dela, sendo ela uma senhora com 30 e poucos anos na altura. A resposta irá ficar gravada o resto da minha vida, pois ela respondeu: "Antes de tomares uma decisão precisas pensar muito. E eu, para tomar esta decisão precisei de experimentar de tudo antes de decidir. Sendo assim, tudo o que estás a pensar, já o fiz." (e ela sabia que eu tinha já nessa altura uma imaginação fértil).
Desde aí, a minha opinião sobre as freiras mudou radicalmente, pois, para dar um passo tão forte como casar ou seguir fielmente os caminhos de Deus, tem de se ter a certeza do que se está a fazer.

Concluo assim a teoria dizendo que não me arrependo de nada do que fiz, pois fiz tudo o que na altura tinha de fazer, para errar, crescer, ser o que sou hoje e acima de tudo, poder um dia dizer "sim" sem pensar "oh, se eu tivesse feito", pois já fiz de tudo.

Se toda a gente pensasse como eu, se calhar não haveria tanto divórcio nem tanta traição nos casamentos. E se, quem sabe, este casamento correr mal, de certeza que não será porque um dos dois fez o que faria "se fosse solteiro/a". Já temos os dois experiência suficiente na vida para dar este passo que, acreditem, é muito difícil. 

Passam-nos mil coisas pela cabeça. Mil pendentes. Mil conversas que ficam pelo caminho e, ou as resolves já, ou te acompanharão para sempre. Eu já estou a tratar de acabar com os fantasmas. Não tinha muitos. Até ao dia C. acabarão. E orgulho-me disso. Estou assustada e muito nervosa mas, esta felicidade que me domina, faz com que tudo desapareça e o que mais quero neste momento é dizer "sim".

Breve resumo destes dias

Sei que tenho andado meia desaparecida. Mas ando a viver na vida real e sabe tão bem que (desculpem lá) até me esqueço de vir ao blog. 

O mundo imaginário da Almofada começa a juntar-se à vida real de tal maneira que o imaginário começa a ser ultrapassado. Os meus sonhos realizam-se. Tudo se constrói pouco a pouco. Com dores, mágoas, crises de panico. Mas, tudo se resolve rapidamente com um abraço ou um beijo de quem se ama loucamente.

Continuo na luta para encontrar um emprego. Continuo a ouvir o "não" a toda a hora. Não estou legal e ninguém tem interesse em me legalizar. Sendo assim, ambos queremos, ambos estamos bem, ambos nos amamos e ambos queremos ficar aqui. Queremos estar bem, com emprego, com futuro e com dinheiro. E acima de tudo JUNTOS!

Resumindo por hoje toda esta ausência: a menina-mulher, escondida n`Almofada, vai casar daqui a 15 dias.

É tudo por hoje.

A viver cada dia, aqui.

Faz uma semana que estou fora do meu país. Ainda não encontrei emprego. Mas, mesmo assim, estou muito feliz. 

Claro que, com uma semana, gostava de já ter emprego mas, vou vivendo um dia de cada vez. Vou aproveitando cada minuto livre para absorver todo este sol que paira, vou apreciando toda a neve que há nas montanhas, todo este frio que, apesar de ser muito, sabe tão bem. E as vistas do Outono são uma maravilha. Os locais são fantásticos, tudo está tão bonito aos meus olhos.

Estou tão apaixonada. Tão maravilhada com o pedacinho de felicidade que a vida me está a dar. Já não estava habituada a isto, acreditem que não. Já não me lembrava de adormecer sem nervos e com festinhas e mimos, de andar de mão dada pelas ruas, de sair com pessoas que gostam da minha companhia e que não se aproveitam.

Estou mesmo feliz. Este é mesmo o meu lugar.

Pés no Paraíso

Por fim, já consigo escrever alguma coisa. Já pousei os pés em terra firme e já estou consciente que estou mesmo aqui. Que estou mesmo no lugar que mais gosto. Que estou mesmo a viver com o futuro marido. Que estou mesmo aqui. Ok, eu ainda não acredito.

Ainda me deito no sofá e olho para o lado e vejo-o, encostado ao meu ombro, a ver um filme comigo ou então, mais frequentemente, a adormecer enquanto nos deitamos no sofá. Ou, ainda, quando jantamos os dois na nossa casa. Ou quando dormimos abraçados. Nesses pequenos momentos, sinto um "plim" na minha cabeça do tipo "Sim, estás aqui. Não são férias." É uma sensação fantástica.

Aqui chove. Chove mesmo muito. E, à noite, faz um frio de morrer. Ainda não estou habituada. Pelos vistos, ainda não está assim tanto frio, dizem eles. Ando à procura de emprego. Estou a fazer tudo devagar, pois o meu sistema nervoso é um vidrinho que quebra facilmente e, então, ao mínimo pensamento estranho, os nervos disparam. Claro que tenho medo de não arranjar trabalho facilmente. Claro que tenho medo que alguma coisa corra mal. Mas sinto uma força cá dentro que me dá vontade de lutar muito e andar para a frente. Só a chuva é que me faz não querer sair de casa cedo, pois não tenho para onde ir. Sendo assim, tenho estado por casa, a acreditar que estou mesmo cá e, de tarde, vou passear para o centro que é lindo.

Noto que há 4 anos havia muita mais gente na rua. Afinal, a crise vê-se a nível de turismo. As pessoas, tanto espanholas como francesas, não vêm cá com tanta frequência como antigamente. O que é uma pena pois Andorra é um principado digno de ser visitado. 

O virar da página

Hoje é o último dia em casa. O último dia como menina-maluca, o último dia como solteira-na-casa-dos-pais, o último dia a viver o dia-a-dia, em busca de algo que me faça ter vontade de viver.

Já encontrei o que todos procuramos. À custa de muito tratamento, à custa de muita dor, muitos pensamentos interiores, descobri que Portugal não é o meu sítio. Descobri também que o meu lugar não é sozinha no mundo. Descobri que não pertenço mais ao meu mundo imaginário mas que a vida real pode ser vivida com imaginação. Descobri que o amor aparece numa altura sempre errada. Erramos, estragamos tudo mas, por vezes, o autocarro passa duas vezes. Há quatro anos atrás errei muito, fui muito palerma, mas não me culpo. Tinha 19 anos. Quem não erra aos 19? Eu errei. Escolhi caminhos aos quais não me arrependo mas lamento tê-los cometido.

Hoje, aos quase 24, posso ver o meu crescimento. A evolução da minha pessoa. De menina para quase-mulher. E as escolhas são muito diferentes. Apesar do amor ser o mesmo. Tudo está diferente. A minha visão das coisas mudou muito. Mas no fim de contas, gosto dele como quando tinha 19 anos. Continuo a sonhar com um futuro risonho entre os dois. Na vida bela de um casal. Continuo a ter borboletas na barriga quando ele me toca ou me beija. Continuo a sorrir que nem uma parvinha quando falo com ele, quando o vejo. Isto é Amor, na sua simplicidade.

Começo agora uma etapa nova. A etapa do "saber lutar". A etapa do andar para a frente sem pensar em desistir. Sem pensar em fugir quando houver um problema (pois o amor não é de todo só rosas cheirosas). Começo uma etapa onde nunca irei dormir de costas para ele. Onde no lugar de uma discussão, haverá uma conversa que resolva tudo, sempre da melhor maneira. Onde as palavras feias não poderão existir. E o bom senso, confiança e cumplicidade farão parte do nosso dia-a-dia. Onde o Amor reinará.

Serei feliz. Chegou a minha hora. Eu acredito.