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Cair na real

Esta semana tem sido das mais difíceis. sem dúvida. Casar não é, de todo, uma coisa fácil. E quem diz que é, mente.

Os momentos antes do dia C. são os mais importantes e fortes na vida de uma pessoa. 

São os momentos em que pensas em tudo o que já fizeste enquanto pessoa solteira. 
São os momentos que olhas para trás e vês aquilo que já foste, já fizeste e mesmo assim, tens um homem que te ama no matter what. Eu não tenho um passado de orgulho. Não tenho mesmo. Já traí, já fui traída, já me magoaram muito, já magoei mais ainda, já tive muitos encontros casuais dos quais 80% me arrependo. Mas, ao mesmo tempo, posso dizer que mudei. Mudei muito. E, agora que olho para a frente, posso dizer que fiz tudo e mais alguma coisa que uma menina-mulher solteira poderia fazer antes de decidir casar.

Há uns anos atrás, na escola secundária, tínhamos, na nossa turma, uma freira. Eu, que nunca tive papas na língua, perguntei-lhe como soube que era aquilo que queria fazer da vida dela, sendo ela uma senhora com 30 e poucos anos na altura. A resposta irá ficar gravada o resto da minha vida, pois ela respondeu: "Antes de tomares uma decisão precisas pensar muito. E eu, para tomar esta decisão precisei de experimentar de tudo antes de decidir. Sendo assim, tudo o que estás a pensar, já o fiz." (e ela sabia que eu tinha já nessa altura uma imaginação fértil).
Desde aí, a minha opinião sobre as freiras mudou radicalmente, pois, para dar um passo tão forte como casar ou seguir fielmente os caminhos de Deus, tem de se ter a certeza do que se está a fazer.

Concluo assim a teoria dizendo que não me arrependo de nada do que fiz, pois fiz tudo o que na altura tinha de fazer, para errar, crescer, ser o que sou hoje e acima de tudo, poder um dia dizer "sim" sem pensar "oh, se eu tivesse feito", pois já fiz de tudo.

Se toda a gente pensasse como eu, se calhar não haveria tanto divórcio nem tanta traição nos casamentos. E se, quem sabe, este casamento correr mal, de certeza que não será porque um dos dois fez o que faria "se fosse solteiro/a". Já temos os dois experiência suficiente na vida para dar este passo que, acreditem, é muito difícil. 

Passam-nos mil coisas pela cabeça. Mil pendentes. Mil conversas que ficam pelo caminho e, ou as resolves já, ou te acompanharão para sempre. Eu já estou a tratar de acabar com os fantasmas. Não tinha muitos. Até ao dia C. acabarão. E orgulho-me disso. Estou assustada e muito nervosa mas, esta felicidade que me domina, faz com que tudo desapareça e o que mais quero neste momento é dizer "sim".

Breve resumo destes dias

Sei que tenho andado meia desaparecida. Mas ando a viver na vida real e sabe tão bem que (desculpem lá) até me esqueço de vir ao blog. 

O mundo imaginário da Almofada começa a juntar-se à vida real de tal maneira que o imaginário começa a ser ultrapassado. Os meus sonhos realizam-se. Tudo se constrói pouco a pouco. Com dores, mágoas, crises de panico. Mas, tudo se resolve rapidamente com um abraço ou um beijo de quem se ama loucamente.

Continuo na luta para encontrar um emprego. Continuo a ouvir o "não" a toda a hora. Não estou legal e ninguém tem interesse em me legalizar. Sendo assim, ambos queremos, ambos estamos bem, ambos nos amamos e ambos queremos ficar aqui. Queremos estar bem, com emprego, com futuro e com dinheiro. E acima de tudo JUNTOS!

Resumindo por hoje toda esta ausência: a menina-mulher, escondida n`Almofada, vai casar daqui a 15 dias.

É tudo por hoje.

A viver cada dia, aqui.

Faz uma semana que estou fora do meu país. Ainda não encontrei emprego. Mas, mesmo assim, estou muito feliz. 

Claro que, com uma semana, gostava de já ter emprego mas, vou vivendo um dia de cada vez. Vou aproveitando cada minuto livre para absorver todo este sol que paira, vou apreciando toda a neve que há nas montanhas, todo este frio que, apesar de ser muito, sabe tão bem. E as vistas do Outono são uma maravilha. Os locais são fantásticos, tudo está tão bonito aos meus olhos.

Estou tão apaixonada. Tão maravilhada com o pedacinho de felicidade que a vida me está a dar. Já não estava habituada a isto, acreditem que não. Já não me lembrava de adormecer sem nervos e com festinhas e mimos, de andar de mão dada pelas ruas, de sair com pessoas que gostam da minha companhia e que não se aproveitam.

Estou mesmo feliz. Este é mesmo o meu lugar.

Pés no Paraíso

Por fim, já consigo escrever alguma coisa. Já pousei os pés em terra firme e já estou consciente que estou mesmo aqui. Que estou mesmo no lugar que mais gosto. Que estou mesmo a viver com o futuro marido. Que estou mesmo aqui. Ok, eu ainda não acredito.

Ainda me deito no sofá e olho para o lado e vejo-o, encostado ao meu ombro, a ver um filme comigo ou então, mais frequentemente, a adormecer enquanto nos deitamos no sofá. Ou, ainda, quando jantamos os dois na nossa casa. Ou quando dormimos abraçados. Nesses pequenos momentos, sinto um "plim" na minha cabeça do tipo "Sim, estás aqui. Não são férias." É uma sensação fantástica.

Aqui chove. Chove mesmo muito. E, à noite, faz um frio de morrer. Ainda não estou habituada. Pelos vistos, ainda não está assim tanto frio, dizem eles. Ando à procura de emprego. Estou a fazer tudo devagar, pois o meu sistema nervoso é um vidrinho que quebra facilmente e, então, ao mínimo pensamento estranho, os nervos disparam. Claro que tenho medo de não arranjar trabalho facilmente. Claro que tenho medo que alguma coisa corra mal. Mas sinto uma força cá dentro que me dá vontade de lutar muito e andar para a frente. Só a chuva é que me faz não querer sair de casa cedo, pois não tenho para onde ir. Sendo assim, tenho estado por casa, a acreditar que estou mesmo cá e, de tarde, vou passear para o centro que é lindo.

Noto que há 4 anos havia muita mais gente na rua. Afinal, a crise vê-se a nível de turismo. As pessoas, tanto espanholas como francesas, não vêm cá com tanta frequência como antigamente. O que é uma pena pois Andorra é um principado digno de ser visitado. 

O virar da página

Hoje é o último dia em casa. O último dia como menina-maluca, o último dia como solteira-na-casa-dos-pais, o último dia a viver o dia-a-dia, em busca de algo que me faça ter vontade de viver.

Já encontrei o que todos procuramos. À custa de muito tratamento, à custa de muita dor, muitos pensamentos interiores, descobri que Portugal não é o meu sítio. Descobri também que o meu lugar não é sozinha no mundo. Descobri que não pertenço mais ao meu mundo imaginário mas que a vida real pode ser vivida com imaginação. Descobri que o amor aparece numa altura sempre errada. Erramos, estragamos tudo mas, por vezes, o autocarro passa duas vezes. Há quatro anos atrás errei muito, fui muito palerma, mas não me culpo. Tinha 19 anos. Quem não erra aos 19? Eu errei. Escolhi caminhos aos quais não me arrependo mas lamento tê-los cometido.

Hoje, aos quase 24, posso ver o meu crescimento. A evolução da minha pessoa. De menina para quase-mulher. E as escolhas são muito diferentes. Apesar do amor ser o mesmo. Tudo está diferente. A minha visão das coisas mudou muito. Mas no fim de contas, gosto dele como quando tinha 19 anos. Continuo a sonhar com um futuro risonho entre os dois. Na vida bela de um casal. Continuo a ter borboletas na barriga quando ele me toca ou me beija. Continuo a sorrir que nem uma parvinha quando falo com ele, quando o vejo. Isto é Amor, na sua simplicidade.

Começo agora uma etapa nova. A etapa do "saber lutar". A etapa do andar para a frente sem pensar em desistir. Sem pensar em fugir quando houver um problema (pois o amor não é de todo só rosas cheirosas). Começo uma etapa onde nunca irei dormir de costas para ele. Onde no lugar de uma discussão, haverá uma conversa que resolva tudo, sempre da melhor maneira. Onde as palavras feias não poderão existir. E o bom senso, confiança e cumplicidade farão parte do nosso dia-a-dia. Onde o Amor reinará.

Serei feliz. Chegou a minha hora. Eu acredito.