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Details of: Home Sweet Home #2






Details of: Home Sweet Home








Um post muito pessoal

Quando chove, os dias tornam-se mais longos. Detesto a chuva, sou sincera. Prefiro o frio. Mas aqui em Andorra a chuva é uma constante no Verão. Por isso há que aguentar e animar!
Ontem à noite vi um filme que me deixou…não sei como me deixou, mas tocou-me “naquele” pontinho que me falta descobrir mas que está difícil. Falava de Deus. 

O filme chama-se em inglês “Another perfect stranger”. Digamos que estou uma viciada nos filmes do youtube. Quando não tenho nada para fazer em casa e não me apetece andar a fazer download de filmes, dedico-me a procurar “ao calhas” um filme do youtube.
Em modo random descobri este. Comecei a vê-lo sem saber de que tratava. Ultimamente só me têm saído (ironicamente) filmes de casamentos falhados ou não e com finais felizes e, achava que ia ser mais um romântico do ano 1900-e-troca-o-passo. Na verdade, há uma sequela destes filmes. Na verdade há livros também. O autor dos livros chama-se David Gregory e  o nome original de onde se baseia o filme é “A day with a perfect stranger”. Pesquisei pouco. Tocou-me este ontem à noite, mexeu comigo e pronto.

Basicamente o filme “Another day with a perfect stranger” (trailer aqui) é a continuação do “A perfect day with a stranger” o qual não vi. Gostei deste. Uma miúda de 20 anos vai de viagem e nesse curto espaço de tempo (viagem de avião, aeroporto e nova viagem de avião) conhece um homem. E conversam sobre religião. E sobre a existência de Deus.
Ora aqui está um tema delicado à minha pessoa. Gostei do que diziam no filme. Partilho muitas opiniões e o bom do filme é que, apesar de tudo, não fala em nenhuma religião especifica. (um bocadinho mas não exageram na coisa)
Fala de Deus. Se existe ou não. Se está em todo o lado. Ou em nós. E eu, que ando a tentar descobrir-me, também me pergunto muitas vezes se estou mesmo sozinha, se mereço isto que estou a passar e essas coisas…em momentos de desespero.

Posso partilhar aqui a minha única experiencia com Deus. 
Em 2003 fui operada aos ovários. Tinha um “teratoma” de 3kg com 18cm de diâmetro. Nunca tinha dado por ela, até uma professora na escola me ter dito que podia estar grávida. Não, não estava. Era impossível. Com 16 anos era um menina pura! E a professora então disse me que fosse ao medico porque o tamanho (!) da minha barriga não era normal. Ora, eu era pura mas não era uma santa. Tinha 16 anos. E estava no inicio das saídas à noite e bebia cerveja. Sempre tive barriga e com as cervejas achava que era isso. Mas…contei à minha mãe. A pobre ficou assustada comigo e levou me de imediato a um medico para fazer uma ecografia. Confirmava-se aí um tumor benigno mas grande. Parece que são células da minha mãe que passaram para mim e se desenvolveram dentro do meu corpo. Estes teratomas chegam a ter cabelos e mesmo dentes… iak!
Então lá se marcou uma operação para 29 de Julho de 2003 (dia de aniversário do meu falecido avô) e lá fui eu para o hospital 1 dia antes. Confesso que fui muito bem tratada aí, as auxiliares eram todas umas queridas e eu andava sempre na conversa com as velhotas que partilhavam o piso de geriatria comigo. 
Até que na noite caí na real. E num pranto de desespero, baba e ranho. A menina-de-ouro, o vidrinho-de-cheiro que toda a vida vivera numa redoma dessas de cristal, ia ser operada na manha do dia seguinte. Foi difícil. Encontrei me sozinha no quarto, pior que uma Madalena e tinha de dormir porque ia ser operada às 8h da manha do dia 29 e não conseguia estar quieta, muito menos parar de chorar. Lembro me de tudo. Como se tivesse sido ontem. A cama super mole e confortável, os lençóis brancos, o lavatório com um espelho do meu lado esquerdo da cama, uma pequena mesinha com o meu telemóvel, agua e flores que me iam trazendo. E um peluche. E à minha frente, quando estava deitada na cama, tinha um pequeno crucifixo na parede. 
E foi aí. A primeira vez que rezei. A primeira vez que pedi ajuda a quem-estivesse-aí. Pedi que me acalmassem, que tudo corresse bem, que me dessem calma para eu dormir bem e acordar bem pela manha para a operação e pedi muito que não me pusessem uma algalia! Eu não tinha medo da operação em si. Tinha medo da algalia. Porque toda a gente me dizia que era um tubinho de não sei o quê, que só de pensar já me dão arrepios! E eu tinha medo disso…
A verdade é que parei de chorar, o coração acalmou e eu adormeci e dormi como um anjo até de manha. Despertaram me e eu acordei bem. Muito bem até! Risonha, bem disposta e pronta para o que viesse. E correu tudo bem. Lembro me de acordar e a primeira coisa que fiz, foi olhar para o chão a ver se tinha o saquinho da algalia e não tinha! A operação foi rápida e não foi necessário. Felizmente o meu tumor era grande mas era muito liquido. Por isso não era assim tão mau. Tive de tirar um pouquinho de um ovário (que nunca sei que lado foi) e a recuperação foi rápida. No dia seguinte já via televisão com as velhotas e já tomava um cafezinho. E deram me massa com carne (que eu adoro) ao almoço. E, porque tinha de fazer as necessidades antes de sair do hospital, tive de informar que só conseguia se fumasse… felizmente deixaram me fumar à janela, escondida de toda a gente e no mesmo dia, de tarde, saí do hospital. Foram 3 dias intensos. Mas inesquecíveis.

E essa noite, eu nunca mas nunca mais me esqueci. Foi quando dei conta que quando estamos mesmo, mesmo mal, “é a fé que nos salva”. Fé em quê? Não sei. Mas eu pedi a Deus, fosse quem fosse, estivesse onde estivesse, que me ajudasse e ajudou. Agora, se tenho alguma religião… isso é outra coisa. Acredito que há algo. Acredito que há uma força maior. Mas não sei se acredite em muito mais do que isso.

No presente… já passei muito mal. E acabei também por pedir a Deus que me desse força. E aqui estou. A aguentar como nunca. A crescer cada dia um pouco mais. E a viver cada momento com calma e positivismo. Se O tenho a meu lado? Não sei. Mas gosto de pensar que não estou sozinha. E quando choro, Ele estará a olhar por mim.  

O bom que a vida me ensina

Estou a poucos dias para que me chegue a minha querida amiga Red. Digamos que consequência disso é sempre uma barriga inchada, uma nostalgia imensa e filmes românticos. Fico estupidamente deprimida e, por isso, optei por novas estratégias:

* Nada de pensar em coisas más. 
* Nada de ficar em casa sem fazer nada. 
* Devo mexer-me para não me sentir “gorda”. 
* Devo vestir roupa um pouco mais larga para que eu não veja o inchaço e não fique deprimida. 
* Devo mentalizar-me que é temporário e em breve tudo passará. 
* Devo amar-me na mesma e aceitar que sou Mulher e que, por isso, estas coisas acontecem.

Os filmes românticos podem continuar. É uma verdade, adoro todas as paneleirices dos filmes de amor. Sou uma sonhadora, sou uma romântica e adoro deixar me levar pelas historias de amor dos filmes. E mais ainda quando estou sozinha. Posso rir, posso chorar, posso reclamar e ninguém me vê! E posso ver os filmes xungas do Youtube. Há alguns filmes por lá do ano 1714 mas que eu gosto e fazem-me passar um bom tempinho distraída! (obvio que se tivesse alguém comigo, não poderia nunca ver essas coisas)

Cada dia estou mais habituada a estar sozinha. Por fim deixei de falar sozinha. E alto. Porque antes falava comigo mesma de tão habituada que estava a falar. Agora não falo. Vou fazendo a minha vidinha, com os meus pensamentos, mas não falo para “ninguém”. Tenho dias que não me apetece fazer a cama/colchão. E penso “ninguém vê, porque não?” e é uma sensação fantástica! Sempre tive muita gente nas casas onde vivi. (já cheguei a viver com 10 miúdas!!) E agora, como tenho poucos amigos e, verdade seja dita, não me apetece convidar ninguém para vir à minha casa, não tenho a obrigação de ter sempre tudo a brilhar!


< Note-se que apenas não faço a cama. Continuo a não gostar dos meus cabelos no chão e por estar 3 dias sem aspirar, já fico incomodada em casa. E como muito lavo à noite toda a loiça. Há coisas que não consigo nem quero mudar. Sou muito fresquinha!! Tive uma boa educação. >

Oiço a musica que quero. Visto-me como quero. Como o que quero. Janto ou não janto. Saio ou não saio. Converso ou não converso. É uma experiencia única! Nunca tive isto. É tão estranho… quando me dou conta, estou sozinha em casa e já programo a minha noite. Ontem estive a ver o Despicable me 2 (pensava que ia ser melhor) e depois, como não tinha sono, pus-me a fazer contas à vida e listas.
Devido à falta de variedade de (dinheiro e de) comida em casa e constantes jantares de pão com presunto (de promoção a 1€) ou cereais com leite, desisti das listas semanais de comida. Estava tão triste porque comia sempre do mesmo que cansei de planear.  Estou a tentar mudar isso de maneira a conseguir variar! Com o pouco que tenho quero inventar alguma coisa. Hoje se tudo correr bem vou comprar fruta. Desde que conheci a “Maça com Nocilla” do MacDonald’s, descobri que adoro maça… e eu não gostava! Ou não comia! Não sei…suspeito que só como a do Mac porque já está descascada… eheheheh
E se conseguir comprar a fruta, descascá-la e guardá-la no frigorifico, creio que à noite poderei jantar fruta sem nenhum problema. E como adoro massa, quero fazer saladas de massa. (ficará para um próximo post).


De momento só tenho a dizer que gosto do meu estilo de vida. Não tenho nada, mas não me falta nada. E aceito o pouco que tenho. Porque as coisas boas da vida, não são coisas. São filmes românticos, uma casa limpa, um colchão onde dormir, umas vistas lindas da minha janela, os almoços ligeiros em casa, os jantares no chão em cima do tapete… são as pequenas coisas que fazem com que a minha vida valha a pena. E por isso, não tenho vontade de desistir. 

Fecha-se mais um capítulo

A pior parte de partir é quando queres ficar. Aquela sensação de não querer fazê-lo mas sabes que é o mais correcto. Há coisas na vida que acontecem com um propósito. A mim têm me acontecido muitas coisas "estranhas" que só me têm feito aprender. E algumas delas terminam. E eu não queria aceitar o final de algumas... mas a vida é mesmo assim.
Fecha-se uma porta, já se abrirá uma janela.

Tal como li num blog que sigo. Os momentos são isso mesmo. Momentos. Vêm e vão. Fica a recordação de um momento bonito. Mas que por muito que se repita, nunca será a mesma coisa. Nunca terá a mesma magia.

Fim.