Começou o Verão. Começou
a fase que nunca mais voltarei a ter. Ou voltarei?
Durante muito
tempo fui louca pelo Verão. Saia todas as noites para estar numa esplanada a
tomar o meu café com gelo, ia para a praia com os amigos brincar com bolas de
fogo e tocar djembe ou darbuka, todos os fins de semana ia para alguma festa. Festas
de house, festas de espuma, esplanadas com musica ao vivo…
Passava noites a ver as estrelas na praia, a olhar para a lua sempre iluminada
no mar, a brisa fresca e o som das ondas. Sentia a areia nos pés porque andava
sempre, (sempre!) de chinelo no pé. Onde está essa miúda? Para onde foram esses
momentos? Que é feito de mim? Já não faço nada isso...
(Já nem tomo café, nem saio e já nem tenho chinelos...)
Agora vivo nas montanhas. Não tenho mar. Não tenho pessoas que gostem de
batuques por aqui. Não há esplanadas com musica ao vivo. Não há festas de
espuma. Não há nada aqui.
E hoje, como
começa o Verão, pergunto-me: que faço aqui? Como posso dizer que gosto disto se
não tem nada daquilo que eu quero e gosto na minha vida? Se está sempre a
chover e/ou a nevar aqui… se as pessoas saem à noite apenas para conseguir
levar alguém para a cama (ou carro ou uma esquina escondida)… se as festas são poucas
e as que existem não têm graça e acabam com porrada ou policia à porta…
Estarei mesmo bem
aqui? Ou isto é mais um local de passagem e ainda não é aqui que pertenço?
Estou aqui há 19
meses. E aqui só tenho neve, frio, ruas cheias de russos mal dispostos e
pessoas tristes e falsas. Eu, que sou uma pessoa feliz (mesmo quando estou no fundo
do poço), não sei se encaixo bem aqui neste meio. Adoro o meu trabalho e talvez
seja essa a única razão porque estou aqui. Mesmo com problemas (porque sei que
os há em todos os trabalhos), gosto do meu trabalho e adoro o que faço! Mas um
dia que fique sem este trabalho não sei se vou querer continuar neste país.
Sei que ainda não
encontrei o meu lugar. E continuo com a ideia que um dia hei-de ir a Itália e
ficarei por lá. Tenho essa “coisa”, esse bichinho que me puxa a visitar Itália.
Não sei porquê. Mas algo me diz que tenho que ir lá.
Há anos atrás
tinha o bichinho de Andorra. E voltei, e aqui estou e já sei porque vim para aqui
de novo. Para aprender! Para aprender e crescer. E ainda não tenho a minha
estadia concluída aqui. Por isso não tenho pressa de ir embora.
Mas sei que
aqui… ainda não é o meu lugar.