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Hoje, pela manhã, enviei a-mensagem-do-ano! Estamos quase a terminar 2012 e eu, no dia 15 de Dezembro de 2012 termino uma história de amor. Comecemos pelo inicio...Era uma vez...há 10 anos atrás...
Ha 10 anos (!) que guardo uma pessoa no meu coração. Não é uma pessoa qualquer. É o meu primeiro Amor. O rapaz que com aqueles cabelos despenteados, aquelas borbulhas todas e a sua bicicleta, mudou a minha vida. Começamos por falar pelo chat, na altura, o mIRC. Apaixonamo nos pelas nossas conversas e conhecemo nos. Apareceu pelas 14.30h do dia 22 de Junho de 2002 na porta da minha casa. E a partir desse dia até ao fim dos meus dias, este rapaz nunca mais sairá do meu coração. Eu tinha 14 anos, era inocente, não tinha ideia da vida, queria apenas vive-la e vivi, vivemos e muito! O nosso namoro infantil durou desde o 25 de Junho de 2002 até ao 22 de Setembro de 2002. Foi um amor de verão, um namoro no qual o mais importante eram as idas à praia, os churrascos na casa dele, os passeios de mãos dadas, as festas da cidade, o facto de ter perdido o medo de andar nas diversões das festas, o meu primeiro pateta frankenstein apanhado por aquelas máquinas das festas e que ainda hoje o conservo com muito carinho, um pedaço de flor que ele me deu numa festa de uma aldeia lá perto que eu ainda a tenho guardada no meio de um livro, as idas dele aos festivais todos de 2002 (eu não podia ir porque na altura os meus pais não me deixavam) e as chamadas pela noite onde eu ouvia no meu quarto os concertos em directo por telemovel...
Eramos inocentes. Eu, e ele também. Em Setembro, como sempre naquele tempo, ia com os meus pais ao Algarve passar uma semana de férias. E com a idade que tinha não me deixavam ficar em casa sozinha. Fui com eles e deixei o homem-da-minha-vida na cidade. Pois ele gostou dessa semana sozinho, sem namorada e com os amigos e quando eu cheguei de volta a casa, ele acabou comigo. Eu ia entrar para o secundário, estava muito abatida, fiquei mesmo muito mal ao ponto de, naquela idade estupida, pensar em suicidar me até! Cortava me, magoava me de proposito e foi muito dificil superar a separação.
Tempos depois, soube que ele ia para França trabalhar com o padrinho.
Aí eu pensei que nunca mais o ia ver e fiquei mal de novo. Enquanto ele estava na França e eu na escola, falavamos pelo MSN (na altura usava se também) e trocamos numeros de telemovel. Não passava um dia sem ter uma mensagem dele (ele numero frances e eu numero portugues...um balurdio de dinheiro que gastavamos). Até que em Setembro (2003) do ano seguinte ele viria a Portugal de férias. Eu como tinha sempre os namorados da idade, deixei o que tinha na altura para estar com o homem-da-minha-vida. Ele ficou 15 dias e estivemos juntos quase todas as suas férias. A paixão voltou mas a distância não permitia nada sério então decidimos ficar amigos. Mais uma desilusão, mais sofrimento. E durante 2 anos foi assim. Ele chegava em Agosto ou Setembro de férias, eu acabava o namoro estivesse com quem estivesse e estava com ele. Envolviamo-nos, passavamos as festas da cidade juntos, ele ia embora e tudo voltava. Mas eu não conseguia resistir. Era mais forte que eu. Estava entranhado em mim. E o pouquinho ou nada que tinhamos, para mim era muito.
Fui para a universidade (2005/2006) e conheci um rapaz por quem me apaixonei muito. Era muito feliz com ele. Eu já tinha 17 anos e um pouco mais de cabecinha, mas só um pouco! Também durou pouco o relacionamento pois o homem-da-minha-vida tinha voltado da França... estivemos outra vez juntos na cidade onde eu estudava, era o sitio onde nos escondiamos. Não tinhamos nada mas só estar com ele já me fazia bem e sentia me feliz. Tinha chegado então a um ponto tal, que os meus pais me proibiram de falar com ele ou mesmo de ve-lo. Porque ele não me fazia bem e me usava. Nas condições de vida que tinhamos não podiamos estar juntos a sério. Eu estudava na universidade e ele vivia com a mãe na cidade onde eu nasci. Estavamos perto demais mas longe demais para namorar. Tentei esquece-lo.
No meu segundo ano de universidade (2006) conheci um rapaz numa festa de S. João. (O meu actual marido mas isso é outra história de amor)
Apaixonei me por este rapaz que não vivia em Portugal. Decidi fugir a tudo e sair do meu país. Passei um verão em Andorra. Adorei! Apaixonei me pelo país mal pus os pés na primeira terrinha! E pensei "hei de viver aqui"... (mal eu sabia)
O verão acabou e eu tinha que voltar para a universidade. Primeira notícia que me dão quando chego à minha cidade "o homem-da-minha-vida namora!!"
Um choque. Um susto. Mas eu estava apaixonada pelo rapaz de Andorra. Eu não queria sofrer mais. Este rapaz de longe fazia me bem.
Universidade e festas com amigas...saudades do namorado de Andorra. Demasiadas saudades. Desesperante. Decidi ir viver com ele para lá.
E fui. (2007) Vivi 7 meses com o rapaz de Andorra (ironicamente, meu actual maridão), mas deixei-o porque não estava preparada para algo tão sério. Não queria parar com 19 anos. Queria mais. Queria viver mais. E 2 meses a viver no hotel onde trabalhava, com demasiado alcool festa e andamento fui parar ao hospital e recambiada para Portugal. Mantive a amizade com o rapaz de Andorra que também sofreu muito por minha culpa, mas que, em certa parte, me compreendia.
Chegando a Portugal, dizem me que o homem-da-minha-vida já não tinha namorada. No fundo do fundo do fundo do meu coração nasceu uma esperança. Começamos a falar de novo apenas por MSN. Pouco e raramente. Ele arranjou outra namorada. Eu arranjei um namorado, perdi a virgindade, enfim...coisas da idade. Também não deu certo.
Arranjei outro. (2008) O unico talvez que me tenha feito esquecer quase por completo o homem-da-minha-vida e porquê? Porque começamos a namorar num verão e a sensação dos meus 14 anos era a mesma. Livre, férias, amor, festas da cidade, mais todas as outras das aldeias ao lado, mais acampamentos, festivais e etc. Durou mais de um ano. E fui muito feliz. Ao lado de alguém que se parecia o homem-da-minha-vida. Chegamos a viver juntos quando eu estava na universidade/trabalhar. Mas tornou se demasiado sério e tanto eu como ele assustamo nos. Fim deste amor. Mais uma desilusão e nessa altura como falava pelo MSN com o homem-da-minha-vida, desabafei com ele. Decidimos encontrarnos. Fomos tomar um cafe, como amigos, conversamos, como amigos, ele contou me que tinha arranjado uma miuda e que estava bem. Uma saida de dois amigos que se amam em silencio.
Mais uns tempos sem nos vermos, (2009) arranjei o pior-homem-da-minha-vida (que também os há) - não quero relatar nenhum episódio deste ano e meio - e decidi voltar à minha cidade natal.
(2010) Arranjei um trabalho na minha cidade, vivia com os meus pais, tinha dinheiro, tinha quem quisesse para uns mimos e não me faltava nada. A partir do momento que voltei a casa, voltei a sair com o homem-da-minha-vida. Às escondidas de toda a gente mas saiamos. Na minha casa, na praia, fora da cidade... mantinhamos contacto. Muito contacto. Demasiado contacto.
(2011) Iamos saindo cada vez mais. Ele tinha problemas na relação e eu amava-o loucamente. Acabamos por estar juntos no inicio do verão. Começamos com uns beijos, terminamos magicamente, drasticamente e fantasticamente na cama. Uma unica vez. Uma ultima vez. Não me arrependo. Amava-o e ele a mim, cada um à sua maneira mas era Amor. Puro e verdadeiro. O mundo parava de cada vez que estavamos juntos, o tempo era intenso à nossa volta e sempre passava super rápido. Era impossível querer ir embora. Mas as desculpas tinham limites e não podiamos fugir como sempre quisemos, nem podiamos parar o tempo como sempre desejamos... tinha acabado. O livro tinha fechado. A história acabava. Era mesmo o fim. E nunca mais o vi pessoalmente. Continuamos a falar, como amigos que se amam.
Mas... nesse mesmo verão, o rapaz de Andorra foi a Portugal...E decidimos ir a um festival em Lisboa. Passamos 2 dias juntos e foi bom recordar a cumplicidade que tinhamos. Ele é o unico homem com quem me envolvi que sabe a história do homem-da-minha-vida. Que confia em mim o suficiente para aceitá-la como parte de um passado ainda presente. Que sabe tudo de mim sem excepção.
Nesse festival não tivemos nada, mas eu comecei a pensar se com ele as coisas poderiam dar certo. Fomos muito felizes na época que eu vivi em Andorra. O que se passou foi que eu era muito nova para estagnar e parar e ter algo sério. E o resto da história do meu marido já foi contada aqui no blog. Vim para Andorra a 1 deNovembro de 2011 e casamos pelo civil a 29 de Novembro de 2011.
Quanto ao "homem-da-minha-vida"...estive com ele depois de casar, este ano. A ultima vez que o vi. Mais de um ano depois de termos feito amor encontramo nos as escondidas. Ele está feliz. Estava a pensar viver com a namorada. Tudo lhe corre bem. E eu...eu estou muito feliz aqui. Estou muito feliz com o meu marido. Estou como nunca pensei chegar a estar... feliz e realizada!
E hoje, pela manhã, após uns tempos de filosofias baratas e pensamentos parvos, deixei uma mensagem no Facebook do "homem-da-minha-vida" a dizer que já não o amo. Que por mais que me custe arranca-lo do meu coração (pois com força é impossível...sei o que digo que levo 10 anos a tentar!), ele está a desaparecer aos poucos por si mesmo. Já não ocupa tanto espaço. Alias, já quase não ocupa. Mas fica o carinho, a amizade, o respeito e a recordação de que tudo o que tivemos foi uma bela história de amor.
Fim.
(Talvez o post mais dificil da minha vida...custou muito escrever isto...)